Que esses violões nevocntos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funereo,
Para onde vão, fatigadas do sonho,
Almas que se abysmaram no mysterio.
Sons perdidos, nostalgicos, secretos,
Finas, diluidas, vaporosas brumas,
Longo desolamento dos inquietos
Navios a vagar á flor d’espumas.
Oh languidez, languidez infinita,
Nebulosas de sons e de queixumes,
Vibrado coração de ancia exquisita
E de gritos felinos de ciumes!
Que encantos acres nos vadios rotos
Quando em toscos violões, por lentas horas,
Vibram, com a graça virgem dos garotos,
Um concerto de lagrimas sonoras!
Quando uma voz, em tremolos, incerta,
Palpitando no espaço, ondula, ondeia,
E o canto sobe para a flor deserta,
Soturna e singular da lua cheia.
Quando as estrellas magicas florecem,
E no silencio astral da Immensidade
Por lagos encantados adormecem
As pallidas nymphéas da Saudade!
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Aparência
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PHARÓES