Página:Quatro regras de diplomacia.pdf/111

Wikisource, a biblioteca livre
Ir para: navegação, pesquisa
111


N.° 9, bis
Officio do Ministro de Portugal em Roma, informando que o Santo Padre manda offerecer a Rosa do Ouro a S. M. a Rainha

N.° 2

Ill.mo e Ex.mo Sr.

Reservado.

Tenho a honra de levar ao conhecimento de V. Ex.ª que o portador d'este officio o é tambem de uma caixa dirigida a Monsenhor Capaccini, a qual contem a Rosa de Ouro, que o Santo Padre offerece a Sua Magestade.

V. Ex.ª não ignorara que é uso antiquissimo dos Summos Pontifices benzer na quarta dominga da quaresma a Rosa de Ouro, que costumavam mandar de presente aos Principes Catholicos, com os quaes estavam em melhor harmonia; mas ha algum tempo a esta parte os Papas teem cessado de fazer semelhante presente aos Principes, seja porque entre estes não se tenha offerecido algum que lhes mereça esta particular distincção, seja por não julgarem conveniente darem a uns com preferencia aos outros publicas provas do seu particular affecto ; e portanto ao antigo costume tem succedido o de fazer aquelle dom aos estabelecimentos pios do Estado Pontificio, e raras vezes fora d'elle.

Hoje o Santo Padre resolveu mandar a Sua Magestade a Rosa, que benzeu domingo proximo passado; e porque esta resolução, se fosse aqui conhecida desde ja, não deixaria talvez de excitar a inveja de alguem, e de encontrar a opposição de antigas sympathias, ainda não de todo extinctas, principalmente no momento actual em que os inimigos da Rainha tiram argumento para seus discursos da demora de Monsenhor Capaccini em apresentar as suas credenciaes, conserva-se por ora aqui a mesma resolução no maximo segredo, de que unicamente eu sou sabedor, alem do Cardeal Secretario d'Estado, agente principal n'este negocio, e do official que escreveu o Breve dirigido n'esta occasião a Sua Magestade.

Devendo n'este caso, segundo o estylo, mandar o Santo Padre d'aqui um seu delegado a essa Côrte para apresentar a Rainha a Rosa de Ouro, assentou-se, para melhor manter o segredo, de autorizar para aquelle acto D. Estevão Vizzardelli, o qual, para que di-