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o Tratado de Commercio entre Portugal e Inglaterra, celebrado em 1842, já não podia satisfazer ás necessidades do commercio das duas nações, eu havia recebido ordem de lhe propor de entrarmos em negociação para a conclusão de um novo Tratado sobre bases mais largas que as do de 1842 e conforme aos principios da sciencia economica; que não lhe devia encobrir que o principal objecto dos desejos do Governo de Sua Magestade era a abolição da escala alcoolica, adoptada como base para o imposto sobre o vinho; que da adopção d'essa base, que me não parecia conforme aos principios da sciencia nem util ao fisco, nem ao commercio inglez, havia resultado uma grande desvantagem para o commercio portuguez, sendo enorme o direito que pagam os vinhos portuguezes comparado com os francezes e os de outras nações.

Procurei desenvolver estas theses com os melhores argumentos que me occorreram, e terminei propondo formalmente a rescisão do Tratado de 1842, observando que, acceita a proposta negociação, era minha Opinião que ella deveria ter logar em Lisboa, seguindo-se assim o exemplo dos precedentes Tratados de Commercio celebrados entre Portugal e a Gran-Bretanha.

Lord Stanley ouviu com muita attenção a minha proposta e observações que a precederam, e respondeu-me em substancia o seguinte:

Que, sem me poder desde já responder de uma maneira definitiva, lhe parecia que não podia haver duvida alguma em acceder a minha proposta de rescisão do Tratado de Commercio de 1842, e que elle, Lord Stanley, estimaria que em um Memorandum eu lhe indicasse as principaes reducções de direitos que o Governo de Sua Magestade estava disposto a conceder aos productos inglezes, e que depois d'isso feito, elle consultaria os seus Collegas, e muito particularmente o Chanceller do Exchequer, e então discutiria os diversos pontos da minha argumentação, sobretudo os relativos à abolição ou substituição da escala alcoolica.

Comtudo que desde já julgava dever fazer-me as seguintes observações:

1.° Que, achando-se já regulada a receita do anno proximo futuro, o Governo não podia, sem grave prejuizo do serviço publico, renunciar a uma verba de receita de £ 16.000:000;

2.° Que o fim da escala alcoolica não havia sido só crear uma verba de receita, mas tambem um meio de defender as producções alcoolicas inglezas;8