Página:Quatro regras de diplomacia.pdf/120

Wikisource, a biblioteca livre
Ir para: navegação, pesquisa
120


N.° 13
Carta (justificativa) do Marquez de Palmella a S. M. I. o Duque de Bragança, respondendo ao reparo de ter exorbitado das suas Instrucções

Londres, 24 de Janeiro de 1833.

Senhor

Ainda mal convalescido da grave molestia que soffri, aproveitei hoje o primeiro momento em que me foi possivel sahir da cama para ir a casa de Lord Palmerston, e de officio participo a Vossa Magestade Imperial, pela Secretaria d'Estado dos Negocios Estrangeiros, o que passei com o dito Ministro. N'um dos dias em que me achava mais doente recebi a Carta de 25 de Dezembro que Vossa Magestade Imperial me fez a honra de me dirigir, e cujo conteúdo me amigiu profundamente. Vejo que Vossa Magestade Imperial desapprovava as diligencias que eu tinha feito para conseguir uma suspensão de armas por meio de uma proposta do Governo Britannico ao Senhor D. Miguel; esta proposta porém, que só lembrei de palavra, e nunca solicitei officialmente, nem por escripto, felizmente não teve logar, e Vossa Magestade Imperial terá a bondade de observar que eu só me lembrei d'este recurso depois de haver reconhecido que era impossivel conseguir do Governo Inglez que impozesse o armisticio.

A Nota que dirigi a Lord Palmerston, e que Vossa Magestade Imperial ainda não tinha visto quando escreveu a sobredicta Carta, é, segundo creio, fundada inteiramente sobre as minhas instrucções, e portanto nunca se poderá lançar em rosto, nem a Vossa Magestade Imperial, nem ao Governo, que solicilasse o armisticio, e que mostrasse ao Governo Inglez, como Vossa Magcstade Imperial diz, a nossa