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PARCERIAS ESTRATÉGICAS - NÚMERO 17 - SETEMBRO/2003

mento comemorativo do prêmio Deusch, o inventor agradeceu: “Este monumento mandado erigir em Saint Cloud, pelo Aeroclube da França, me é duas vezes grato: é a consagração de meus esforços e, homenagem que se prestou a um brasileiro, reflete-se sobre a pátria toda”[1].

Logo a seguir, em 24 de outubro, foi promovido a comendador da Legião de Honra. Reconhecido e respeitado internacionalmente, mantinha-se simples, como se pode ver na descrição feita por George Goursat, mais conhecido pelo nome artístico de Sem, um dos mais populares caricaturistas da Belle Époque: “Envergando uma jaqueta de corte fino, uma calça muito curta, sempre arregaçada, cobrindo-se com um chapéu mole cujas abas se apresentam, em compensação, sempre puxadas para baixo, ele nada tem de monumental”[2].

Enquanto os outros inventores que, como ele, buscavam construir protótipos no início do século, começavam a investir na criação de empresas, Santos Dumont vivia sua condição de homem público, respeitado por sua coragem, sua audácia e sua inquestionável generosidade. Ele via surgir novas fábricas. Primeiro a de Voisin, logo seguida pelas de Blériot, Robert Esnault-Pelterie, Delagrange, Morane, Wright, Curtiss... Surgia, com rapidez, um novo campo de ação. Santos Dumont mostrava para todos a importância do novo invento. Os grandes dirigíveis, construídos na Alemanha, na França ou na Inglaterra, mostravam o potencial de uma aeronave capaz de transportar grandes cargas. Os pequenos aviões, por seu turno, provavam a capacidade para as atividades esportivas. Demonstrações atraíam um grande público. Mas, ainda assim, o mercado era muito restrito. Santos Dumont sempre lembrava da importância das aeronaves para atividades militares. Suas experiências haviam mostrado isso.

Mas, no início da década de 1910, ele estava vivendo a sua vida, participando de reuniões, recebendo homenagens, exercitando-se nos esportes de inverno ou viajando pelo mundo. Aonde chegava era uma atração. Era ouvido pelas autoridades, pois suas opiniões tinham, sem dúvida, um grande peso.

Em 1913 esteve no Brasil onde foi recebido com grande deferência. O panorama mudou com o agravamento da tensão política em 1914. Sua casa

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  1. Idem. P. 67.
  2. L’Illustration. 25 de outubro de 1913, n. 3.687, p.306.