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PARCERIAS ESTRATÉGICAS - NÚMERO 17 - SETEMBRO/2003

A indústria aeronáutica crescia a olhos vistos. Seus antigos colegas prosperavam com a guerra e a aviação transformava-se a cada momento.

“Entramos na época da vulgarização da aviação... Desde o início da guerra os aperfeiçoamentos do aeroplano têm sido maravilhosos. Têm sido aumentados em dimensões e alguns, hoje, são feitos exclusivamente de aço... Atualmente na Europa há aeroplanos invisíveis. As asas são de um novo material transparente como cristal, que quase não se distingue quando o aeroplano se eleva a uma altura de 1200m... Porém, verdadeiramente assombroso é o desenvolvimento do canhão para aeroplano. O novo canhão origina dois tiros: um despede o projétil e outro, em sentido inverso, somente lança areia, anulando o retrocesso... Tenho ouvido dizer que se empregam canhões de nove centímetros. Imagine-se a efetividade de fogo! Eu, ainda que bastante sonhador, nunca imaginei o que tive ocasião de observar quando visitei uma enorme fábrica nos Estados Unidos. Vi milhares de hábeis mecânicos ocupados na construção de aeroplanos, produzidos diariamente em número de 12 a 18, cujo embarque é facilitado pelos ferro-carris que penetram no próprio estabelecimento. Prevejo uma época em que se farão carreiras regulares de aeroplano, entre as cidades sul-americanas, e também não me surpreenderá se em poucos anos houver linhas de aeroplanos funcionando entre as cidades dos Estados Unidos e América do Sul. É uma questão talvez de dez meses e, então, saberemos que um aeroplano partindo do Novo Mundo foi ter ao Velho em talvez um dia! Tenhamos um pouco de paciência; em breve existirão transatlânticos aéreos com quartos de dormir, salão e também, o que é muito importante, governados por giroscópios e acionados por vários motores com um grande excedente de força, para o fim de, em caso de avaria em um deles, serem os outros bastante poderosos para manter o vôo do aparelho”[1].

No ano seguinte, como representante do Aerolcube da América, estava em Santiago do Chile no Congresso Pan-americano de Aeronáutica. Em sua apresentação defendeu o uso pacífico do avião.

“Pessoalmente creio que se usará o aeroplano para correspondência e também para os passageiros entre os dois continentes, provavelmente muito breve. Sem dúvida esta opinião motivará gestos de incredubilidade e a predi-

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  1. Santos Dumont, Alberto. 1959. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de S. P.. Vol. LVI. P. 163-169.