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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/119

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BARQUINHA

tijmá. Sing. bavtismaya.? Mar. baptismá. - ? | Guj. baptijhma. ? Hindi, Hindust. baptismá.-? Tel. baptismam. Malg. batisa.-? Jap. baputesuma. Parece que o p denuncia a pro-cedência inglesa.

Baptizar . Sing. bavtisár karaṇavā (lit. «fazer baptizar»). Em concani diz-se comummente bāvtij divunk, «dar baptismo».

Baralhar (as cartas). Conc. bārā- lhár-karunk. Tet. barálha. Term. vern. kákul.

Baralho. Conc. bārálh.-? Mar., Guj., Pers. (segundo Molesworth) barát. ? Tel. baredo. En marata e persa denota um dos naipes, rifada. A origem da palavra portuguesa é incerta. O castelhano tem baraja. O hindi e o hindustani, mais rela- cionados com o persa, não teem ba- rát. Ganjiphá, usado nas línguas indianas por «baralho», é de pro- cedência persiana.

Barba. Mal: barba (Haex). Term.vern. jángut.

Barcaça. Conc., Guj. bārkas. Malayál. varkkas.- Ár. barkús[1].

Barqueta. Mar. barkatá. «Barco pequeno ou bote, o mesmo que barkin ou barquinha». Molesworth.

Barquinha. Mar. barkin. «Barca pequena ou bote de feição particular. Barkiṇí (corrente em Málwán- -pránt). Pequena espécie de hoḍí ou bote de pranchas». Molesworth[2].

Barracas. Tel. bārkásu, bar-kásu.

Barriga. Mol. bariga, cânfora de mediana qualidade[3]. Vid. cabeça e . É provável que os termos tives- sem sido usados em outras partes da Insulíndia e agora sejam obso- letos[4].

Barrete (eclesiástico) Conc. bar- rêt.-Tet., Gal. barreti.

? Barrica. Malg. barika.

Barril. Conc. barl. Tet., Gal.


Notas

  1. «Fez embarcar em hũa grande bar- caça». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 5. «Mas os das barcaças, e galés, que hora aqui, hora aly lhe dauam bateiras». Id., Déc. VIII, I, 35.
  2. «Levou elle mesmo... a dom André na barquinha a terra». Bocarro, Déc. XIII, p 485.
  3. Garcia da Orta diz (Col. XII): Acerca dos Gentios e Baneanes e Mouros, que esta fazenda comprão, fazem della qua- tro sortes, scilicet: cabeça, peito, pernas, pés. E o Conde de Ficalho comenta: Rumphius (Herbarium Amboinense) des- creve tambem as qualidades em que a classificam: fragmentos maiores, appro- ximadamente das dimensões da unha, a que chamavam Cabessa, que elle explica significar caput; grãos ou escamas mais pequenas, chamadas Bariga, ou venter; e a parte pulvurenta e as granulações mindas, com o nome de Pees, que signi- fica pes».
  4. Os nossos antigos escritores tambêm mencionam «coral de perna». «Mandou em hum caixão hum quintal de coral de perna por laurar». «E huma caixa de co- ral de perna, a melhor que hauia». Gas- par Correia, 1, pp. 89 e 101.