CABAIA
CABAIA
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— Tam. bulei. — Tet. búli.—Term. vern. dardón. Não está assente a origem da palavra portuguesa. O Sr. Gonçal- ves Viana deriva do mal. búli, «frasco». Rigg diz que búli-búli, em sundanês, é «taça com tampa (a covered cup) ordináriamente usada para guardar óleo». Em concani, búl também designa a tabaqueira de loiça em forma de frasqui- nho[1].
Buraco. Conc. burák. Term. vern. bíl, biḷúk, vivar, bhonk, bhontó, dompḷó. — Mar., Guj. bu- rákh. — Can. biráku, biriku, bi- rúku.
Não se sabe o motivo da adop- ção do vocábulo português. O persa, o hindi e o hindustani teem surákh, com a mesma significação, que não sei se tem relação etimo- lógica com o port. buraco. O Dic- cionario Contemporaneo deriva-o do lat. foraculum, e o Sr. Cândido de Figueiredo, do alto alemão bora. O Sr. Gonçalves Viana julga mais provável o primeiro étimo e abona-o com o dialectal furaco.
? Burrico. Malg. borika, boriki.
? Burro. Conc. búrr (us. fig.; gā- ḍhúm, em sentido próprio). Term. vern. gaddhá. — Sing. búruva, bú- re̤va. Term. vern. koṭaluvá, koṭa- livá garddabhayá. Búre̤, asinino.
¿Por que motivo teria entrado no singalês o vocábulo português? Talvez por causa do seu frequente uso em sentido figurado, como foi o da sua introdução no concani.
? Cá. Mal. ca (Haex).
Cabaia. Conc., Tam. kabáy (es- pécie de túnica). — Mar. kabáy, kabāí. — Sing. kabáya (casaco). — Mal., Sund., Jav., Tet., Gal. ka- báya. — Mak., Bug. kobáyā. Usado tambêm no indo-português de Cei- lão (cabaya, cabai, cuobai) na acep- ção de «casaco»[2].
Notas
- ↑ «Foi monomania em Siam o collec- cionar bules, como em tantas outras par- tes ae colleccionam estampilhas, mono- grammas, etc.». H. Prostes, in Bol. S. G. L., 4.ª sér., p, 399.
- ↑ «Usaua vestida hũa cabaia de pano dalgodão branco, que he hũa roupa aper- tada no corpo». Castanheda, liv. I, cap. 6. «Hũa vestidura, a que elles chamão cabaya, que cõmũmẽte os Mouros vsão naquellas partes, comprida de mangas, cingida e aberta por diante com hũa aba sobre outra, ao modo do trajo dos Venezeanos». João de Barros, Déc. II, IV, 2. «Cabaya he bum vestido, como a nós