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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/147

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CHÁ

CHÁ

ár. siruál. No grupo malaio signi- fica «calças», como no persa.

Cerveja. Cónc. servêj. — Tet. ser- veja.

Cevadeira (naut.) L.-Hindust. sabdorá, subdhará.

Chá. Conc. chá, cháv. —Mar. chahá. —Guj. chá, cháha, cháhe. — Hindi., Hindust. chá, cháh, cháy, cháe. —Nep. chiyá. — Or., Beng. chá. — Ass. cháh, chái. — Sindh. chá, cháhi.— Panj. chāhá. — Kash. chāí. — Tam. chá (tambêm te).— Malayál. chá, cháya (tambêm teyila, lit. «fôlha de chá»). — Can., Tul. chá. — Indo-ingl. chaw (p. us.}.— Gar. cha. — Khas. sha. —Tib. ch'a; sö-ch'a (honorifico): Ch'a-pa, pasta de chá. — Siam. xa. — Ann., Tonk. chè (tambêm tra). — Nic., Tet., Gal. chá. — Pérs. chāí. — Ár. shāí.

Chahādán, chahādāní (Mar.), chādāni (Guj.), chādán (Hindust.), bule.

Ao idiograma chinês, represen- tativo da planta de chá, correspon- dem duas formas fonéticas: chhá no dialecto mandarino, e no dia- lecto de Fuh-kien. A primeira forma foi adoptada pelo Japão e pela Indo- China, e por Portugal, pela Grécia e pela Rússia; e a segunda, pelas outras nações europeias, bem como pelas línguas malaio-polinésias, e por quatro da Índia; singalês e telúgu, tamul e malalyálam. As duas últimas teem tambêm a outra forma.

Não se sabe ao certo se o chá era conhecido na Índia antes das conquistas dos portugueses, nem até que ponto se deve atribuir à sua influência a propagação do ter- mo, nem por que via entrou a outra forma na costa de Choromândel e em Ceilão. Nos nossos antigos in- dianistas não se encontra freqùente menção do chá, como não há a do café. A primeira menção que apa- rece, na opinião do Sr. Gonçalves Viana (Apostilas), é feita por Frei Gaspar da Cruz, no seu Tratado da China (1569); «Qualquer pes- soa ou pessoas que chegam a qual- quer casa de homem limpo tem por costume ofereceremlhe em hũa ban- deja galante hũa porcelana, ou tan- tas quantas são as pessoas, com hũa agoa morna a que chamam Cha, que he tamalavez vermelha e muy medicinal, que elles costumam a beber, feita de hũ cozimento de ervas que amarga tamalavez». E João Lucena diz (1600); «Vam (os japoneses) pôr o preço em cou- sas de mais riso, e zombaria, como sam todas as peças, que seruem no cozimento da ema que chamam cha». Liv. VII, cap. 4.

Mandelslo, citado no Hobson-Job- son, diz em 1638: «Dans les as- semblées ordinaires (à Sourat) que nous faisions tous les iours, nous ne prenions que du Thé, dont l'usage est fort commun par toutes les Indes». Mas isso se deve en- tender com respeito aos europeus, seus descendentes e alguns cristãos