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DONA
DONA
mingo, mengo[1]. — Jap. domingo, domiigo.
Dona. Sing. nónā, dama, mulher europeia. — Mal. nóma, nónya, nyo- nya, noña (= nonha), nóña (= nho- nha), dama de origem europeia ou chinesa, ou mulher casada com eu- ropeu ou chinês. — Ach. nona, filha de europeu e chinesa; donzela. Ño- ña, mulher de europeu ou chinês; dama. — Sund. nóna, donzela; nú- nya, dama europeia ou chinesa. — Jav. ñóña. — Day. ñoña, dama, especialmente europeia. —Mak., Bug. nóna, donzela; nhónha, da- ma. — Batav. ñóña ou nyónya. — Tet., Gal. dona.
O P. Favre distingue entre ñóña e nóna, quanto à sematologia e à etimologia, dando por significado de nóna, sem indicar a sua prove- niência, «femme non mariée, de- moiselle, filie de qualité», e indi- cando como étimo provável de ñoña o port. dona ou o espanhol dueña.
O Dr. Heiligers tambêm sugere dueña.
O Dr. Fokker diz; Quanto à ori- gem da palavra ñoña, que alguns pronunciam ñôña (mulher casada com europeu ou chinês), os etimo- logistas não estão de acôrdo. É mais provável que a palavra venha do chinês, do que do português senhora, com elisão da primeira sí- laba, como em gareja, «igreja».
O Sr. Gonçalves Viana entronca, insinuando ao mesmo tempo o pro- cesso evolutivo, nyóra, nyónya, nó- nya e nóna, com senhora; e o Dr. Schuchardt tem por certíssima essa procedência, por uma forma intermédia, como nhonha, usada em Cabo Verde.
Mas parece que não é tão certo. O vocábulo nóna, como prenome honorífico e pronomen reventiae, voga nos crioulos portugueses de Ceilão, Cochim, Mahé, Bombaim, Diu, Malaca, Singapura; e em al- guns dêles toma o significado adi- cional de «avó», como nono, no de Ceilão, designa exclusivamente «avô». Ora no crioulo malaio e al- guns caboverdianos dono signi- fica «avô», e dona «avó», e tais signi- ficados são registados por Morais como antiquados em português[2].
A transição de dona para nona é muito mais fácil e natural (por assimilação regressiva) do que de senhora (sinhara, nhara, siara em crioulos), que teria de se sujeitar
Notas
- ↑ Cae a primeira sílaba, para se tor- nar a palavra dissilábica, conformo a ín- dole da família malaia.
- ↑ «Sabe a razão? É porque Dona n'aquelle logar é um nome que em creolo se chama «nome de casa», e usa-se nas meninas (creanças). É por esse nome que ellas são chamadas até a maioridade ou até a morte... Agora se quizer saber o que quer dizer Dona, eu lhe digo, em 2.ª sér., p. 131.