A influência de Portugal no Oriente não tem sido até hoje devida- mente apreciada num conjunto, em toda a sua extensão e em toda a sua intensidade.
Tem-se escrito muito sôbre os feitos gloriosos dos seus navegado- res e conquistadores, sôbre os actos heróicos dos seus capitães e governadores. Tem-se descrito graficamente o seu largo trato comer- cial, os seus vastos empórios, os labores penosos e o luxo deslum- brante de seus filhos nas colónias. Tambêm se tem criticado severa- mente, pela orientação moderna, a sua política de crueldade e intole- rância e os excessos do seu zelo religioso. E geralmente se julga que essa influência foi restrita, superficial e efémera.
A verdade, porêm, é que a acção civilizadora de Portugal nos seus antigos domínios e nos povos com que esteve em contacto foi, em vários sentidos, muito dilatada, muito funda e muito duradoura, do que ainda presentemente há vestígios numerosos e evidentes, e argumentos irrefragáveis[1].
O Dr. Heyligers reconhece «que a influência do elemento portu- guês exercida no Arquipélago Indiano» — e o mesmo se pode dizer de diversas outras partes — «foi de uma fôrça absolutamente parti- cular», e abrange essa influência em três capítulos: população e raça,
- ↑ «No campo dos princípios Portugal foi, pois, o primeiro país que os soube formular de modo a conseguir-se, por uma política de assimilação entre os conquistadores e os conquistados e sem violências ou tiranias inúteis, o progredimento e a civilisação das regiões mais atrasadas. E no campo da prática não démos provas menos brilhantes nem menos decisivas».
Parecer da Sub-commissão (Política Colonial) da Sociedade de Geografia de Lisboa.