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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/216

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PALANQUIM PAMPANO 119

Pingan ou pinjan não se deriva talvez de palangana. Shakespear tira do persa o hindust. finján, «prato de porcelana».

Palanquim («liteira»). Indo-ingl. palanquin, palankeen. —Indo-franc. palanquin. — ? Mal., Jav. pelánki, plánki. —Term. vern. kremun, tan- du, joli, usongon. — Malg. palanki- na[1].

O étimo neo-árico é pālkí, do sánsc. paryaṅka. Yule & Buruell dizem que a nasal da segunda sí- laba de palanquim, se pode explicar pela influência de palanca. Mas o malayálam tem pallankí, que Gun- dert regista como corrução (tadbhā- va) do sânscrito. ¿Teriam os por- tugueses levado a palavra para Ma- luca ou tê-la hiam recebido imedia- tamente dali?

Palhota. Indo-franc. paillote.

Pálio. Conc. pál. — Tam. pálli. — Gal. páliu.

Palmatória. Conc. pālmatór. — Guj. pālmantrí. — Tet., Gal. pal- matória.

Palmeira (Borassus flabellifer). Indo-ingl. palmyra.

Em indo-português, palmeira, sem especificação, é o nome do «co- queiro». «Com azeite de coguo, que he o fruto de palmeira». Garcia da Orta, Col. LIII.

Pâmpano (peixe: Stromateus si- nensis, S. cenereus, S. niger). Conc. pámpl, ?pāmplíṭ. Term. vern. sa- rangó, sarangúl. —?Mar. pāplixṭ. Term. vern. sargá. — Indo-ingl. pamplee (ant.), pamplet (ant.), pom- fret. — Indo-franc. pample. Crioulo português malaio e hol. pampel[2].

O Sr. Cândido de Figueiredo regista pâmpano (peixe) como ter- mo inédito e dá-o como sinónimo de pampo. Vieira diz que é «peixe pequeno da feição de choupa». Não sei se o vocábulo está em voga no Continente. O peixe da Índia asse- melha-se à fôlha de videira, donde provêm o seu nome.

Notas

  1. "Leva vinte cinco ou trinta molhe- res das suas mais pryvadas, as quoaes vão em cada huũ seu pallamque, que são como andas». Chronica de Bisnaga (1535), p. 61. «Cento, e duzentas molheres de sua pessoa, as quaes vem em palanquyns e an- dores», Gaspar Correia, ii, p. 400. «Nenhũa pessoa de qualquer calidade e condição que seja ande em palanquim sem minha expressa licença salvo aquel- les que passarem de sesenta annos». Alvará do vicerey Matias de Albuquer- que, de 22 de Junho de 1591. «O Governador ya em hum palanquim». Diogo do Couto, Déc. VI, v, 10». Defen- deo, que nenhũa molher publica andasse em Palanquim, senão descuberta». Id., Déc. VII, i, 12.
  2. «E os peixes daquelle Mediterraneo são saveis muy gostosos, dourados, ru- bios e boas taynhas e serras e pampanos». Godinho de Erédia, Declaraçam de Ma- laca (1613), fol. 33. «Os mares adjacentes (abundam) de Tubarões, Serras, Pampanos, Esmargaes, Dourados, etc.». F. N. Xavier, O Gab. Litt., i, p. 32.