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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/221

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PATO PAULISTA 124

— Tet., Gral. pateka. Term. vern. babuar[1]. De origem arábica, baitlkh.

Pato. Conc. pát, ganso. Term. vern. háms, rājháms. - Or., Beng. páti-hams. — Ass. pāti-hámh. — Sing. pāttayá. Pāttí, pata. — Tam. vattu. — Malayál. páttu, ganso. — Tel. bátu̥. Pedda bátu̥ (lit. «pato grande»), ganso. — Can. bátu.— Tul. battu̥. — Siam. pet. Pet pã, pato bravo. — Tet., Gal. pátu.

O étimo da palavra portuguesa parece que é o ár. bat, «pato, gan- so» (batak, diminutivo), usado tam- bêm em persa e hindustani[2]. Pode ser que bátu tenha provindo imedia- tamente de bat. Os antigos escrito- res dizem adem por «pato»[3].

Patrono («santo protector»). Conc. pātron. — Tet., Gal. pa- trónu.

? Patrulha. Mal., Jav., Mad. pa- trol (Heyligers). — Batt. pataróli.

Patrol parece ser holandês. O termo português introduzido nestas línguas é ronda, q. v.

? Patuleia. Mal. patuley, raça, tribu.

¿Teria o vocábulo ido de Portugal ou vindo de Malaca? Os dicionários portugueses não indicam a origem de patuleia. O Sr. Gonçalves Viana porêm presume que seja o caló pa- tulé, rústico». Em tal hipótese, se- ria trazido da Ásia pelos ciganos espanhóis e transmitido ao caste- lhano, que o emprega no sentido de «tropa irregular».

Pau. Mal. páu, varal.

Paulista («jesuita»). Conc. pāv- líst (p. us. actualmente). — Indo- ingl. paulist (obsol.)[4].

Correm em Goa muitas lendas de carácter mítico com respeito aos antigos paulistas[5].

Notas

  1. «E de frutas não é tão abastada (a cidade do Cairo), sómente de patecas, que são como melões, e não de tanto gosto como elles». António Tenreiro, Iti- nerario, cap. xlii. «Melam da India, a que qua chama- mos pateca». Garcia da Orta. «Melões da India ou patecas, os quaes devem ser o que hoje chamâmos melancias». Conde de Ficalho, Col. xxxvi. «Melões, aboboras de Portugal e de Guiné, patecas, combalengas, biringe- las». Gabriel Rebêlo, Informação, p. 172. «Não comiam mais que farellos de milho e cascas de patecas, que são como as nossas melancias». João dos Santos, Ethiop. Or., ii, p. 182.
  2. O Sr. Gonçalves Viana contesta a derivação arábica.
  3. «No trato das adens huns tratão de botar os ovos de choco, e criarem adinhos para venderem». F. Pinto, cap. xcvii. «Pauoens, ganços, adens, e todas as aves domesticas». Lucena, liv. x, cap. 18.
  4. «As novas que tenho he D. Autonio vai para Xagardy com sua casa, e os RR. PP. Paulistas o buscarão com todo o empenho entendendo que era certo hir- mos nós com elle» (1682). O Chron. de Tissuary, i, p. 318.
  5. «Era possuida pelos jesuítas (vul- garmente chamados Paulistas, em allusão