meio indispensável à sua prègação; e se alguma cousa chegavam a escrever para o público, era o necessário para o doutrinamento reli- gioso dos catecúmenos e dos neófitos[1]. Ainda assim, os mais antigos escritos sôbre as línguas orientais são exclusivamente devidos aos pregoeiros do Evangelho, e, em tempos modernos, são eles os seus principais cultores[2].
De há cinquenta anos para cá, e especialmente nos últimos tempos, o estudo e a cultura das mais importantes línguas vivas teem ido tomando largo incremento, graças aos persistentes esforços dos mis- sionários e dos indianistas, e ao constante incitamento e generoso patrocínio do govêrno inglês. Em toda a parte se abrem escolas ver- náculas mixtas, e todos os anos se publica, nos caracteres próprios, uma avultada quantidade de livros, maiormente didácticos, alêm de grande número de periódicos e jornais, que são ávidamente lidos pela geração actual[3].
Não é pois de admirar que não esteja até o presente averiguado com exactidão o número total das línguas e dos dialectos, nem mar- cados com consenso unânime os limites da Índia sob o ponto de vista glotológico — limites que diferem muito da Índia geográfica e política. Robert Cust eleva a 243 o número das línguas e a 296 o dos dialectos, agrupados em 8 famílias; mas estende demasiado a sua área, abrangendo até Timor, Madagascar e a ilha Formosa, fundado, como diz, em afinidades linguísticas e étnicas[4].
- ↑ É natural que os mais versados deixassem apontamentos gramaticais e lexi- cológicos, manuscritos, para uso particular dos colegas e sucessores. «O padre Francisco Anriquez aprendeo em menos de seis meses a falar, e a ler e escrever as proprias letras e caracteres da terra [Malabar], e em breve tempo sahio com a arte [gramática], e vocabulário da lingoa com espanto dos naturaes... e grande beneficio dos nossos padres e irmãos, que d'entam até agora per estes e per ou- tros livros, que se foram fazendo, tam facilmente aprendem o Malabar, como o latim». Padre João Lucena, Historia da Vida do Padre Francisco de Xavier, liv. V, cap. 25.
- ↑ «A uma classe do trabalhadores a sciência deve mais do que a qualquer outra. Aludo aos missionários, assim protestantes como católicos romanos, que teem rivalizado uns com os outros em irradiar luz em lugares escuros». Robert Cust, A Sketch of the Modern Languages of the East Indies.
- ↑ Publicam-se na Índia cêrca de 800 periódicos indígenas, impressos em 19 línguas diferentes. Dão-se à estampa anualmente mais de 7:000 livros nas línguas vernáculas.
- ↑ Op. cit., p. 148.