todas as palavras portuguesas, usadas nestas localidades, mas tão sómente as que pertencem ao vocabulário geral, e que nele entraram pelas antigas relações políticas, pela vizinhança e pelo comércio.
O hindi é a mais importante língua da Índia, ocupando quási todo o centro, quer pela sua área — 248:000 milhas quadradas; quer pela sua população — quási sessenta e três milhões; quer pela vitalidade, alastrando-se sempre mais e absorvendo outros idiomas; quer pela quantidade de dialectos — 58, segundo Cust, alguns dos quais podem passar por verdadeiras línguas. Há filólogos que julgam que se devem incluir nos seus dialectos as línguas gujarati, panjabi e nepali. Beames enumera os seguintes dia- lectos como principais: mathíli, magadhi, bhojpuri, kosali, brijbasha, kanauji, rajputani (grupo de dialectos), bundelkhandi. O Sr. Grierson divide o hindi em duas partes: oriental e ocidental. Pôsto que derivado do indo-árico, o hindi contêm muitos vocábulos turánicos e grande enxêrto do árabe-persa. É comummente escrito no alfabeto devanagárico. Literáriamente, distingue-se em três estádios: antigo, de há setecentos anos, médio e moderno. A influência do português no seu vocabulário é principalmente me- diata, por via doutras línguas vizinhas. As relações político-comer- ciais, não muito frequentes, parece que pouco poderiam ter influido[1].
Sem entrar na questão de saber se o hindustani é língua indepen- dente ou, antes, um dialecto do hindi, como geralmente se considera, trato-o em separado, pela natureza especial do meu trabalho. Formado do persa, fala dos conquistadores, e do hindi, fala dos indígenas, no século XVI, sobre a base gramatical neo-árica, mas es- crito, de ordinário, no alfabeto árabe-persa modificado, o hindustani tornou-se língua materna dos maometanos de qualquer parte da Índia, e desenvolveu-se em língua franca nos principais centros comer-
Notas
- ↑ Shakespear atribui ao hindi uma grande parte de dições portuguesas intro- duzidas no hindustani.