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vigoram sómente em certos lugares. Do outro lado, deve-se-lhe a difusão de muitos termos portugueses em línguas vernáculas. O indo-inglês tem, portanto, cabimento no meu trabalho[1].
Os franceses chegaram tarde à Índia, onde já se encontravam em contenda os portugueses, os holandeses e os ingleses, e quási nenhuma influência de carácter geral e duradouro ali exerceram. As suas mi- núsculas colónias não teem crioulos nacionais, como os não teem as inglesas; falava-se nelas, e fala-se ainda hoje, pôsto que em menor escala, o indo-português, ao lado dos vernáculos[3]. Como o indo-inglês, o francês falado na Índia tem no seu vocabu- lário algumas palavras genuinamente portuguesas e muitas asiáticas aportuguesadas, que lhe foram, na sua generalidade, transmitidas pelo indo-português, alêm das que recebeu directamente dos idiomas vernáculos. Vários dêsses termos, designativos de objectos peculia- res, passaram ao francês continental, como aconteceu com o inglês da Europa. As razões que me induziram a incluir o indo-inglês no meu traba- lho militam igualmente a favor do indo-francês, conquanto não seja igual a sua importância. Não conheço nenhuma obra especial sobre o assunto alêm da citada, nem lhe prestei atenção senão à última hora, quando me convenci de que não era nele pequena a influência do português asiático. É, portanto, natural que a lista de vocábulos por- tugueses no indo-francês seja deficiente.
Na parte inferior do vale de Assão há um grupo de línguas pouco importantes, denominado bodó, pertencente à sub-família tibeto-bir-
Notas
- ↑ O erudito glossário de Yule & Burnell tem-me aproveitado imenso.
- ↑ Vid, Aristide Marre, Notice sur la langue portugaise dans l'Inde Française et en Malaisie.
- ↑ Dr. Schuchardt inclui Pondichery e Chandernagar nas regiões onde se fala indo-português, e dá espécimes do crioulo português de Mahé. E A. Marre diz: «Il résulte évidemment des propres termes de l'Annuaire que le portugais est parlé par une partie de la population de l'Inde française».