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em Camboja e por quinhentos mil em Sião e Annão. Possui três dia-
lectos: xong, samre e khamen-boran.
O cambojano é monossilábico, como os outros ramos da família,
mas sem variedade de tons, é repleto de palavras do siamês, com
que foi confundido por longo tempo, e importa muitos termos do páli,
malaio, annamita e peguano, em grande parte contraídos, para os
ajeitar à sua índole. Tem dois alfabetos modernos, sagrado e vulgar,
derivados do devanágari, e monumentos literários antigos, que datam
do século XIII.
A influência do português, relativamente considerável, no vocabu-
lário cambojano, deve-se às antigas relações comerciais, políticas e
religiosas, e às línguas circunvizinhas, especialmente à malaia[1].
Achando-se ao presente o reino sob o protectorado de França, vão-se
introduzindo muitos termos franceses, o que ocasiona incerteza com
respeito à proveniência de certos vocábulos romanicos.
O siamês é o representante de maior importância do ramo tai da sub-família siamo-chinesa, e pertence, como o chinês, à classe de lín- guas monossilábicas isoladas[3]. O nome de Sião é corrução de sham, outro nome da raça tai ou thai, que no século VII invadiu a Birmânia Superior e foi depois estabelecer-se neste país e em Assão[4]. A área do siamês é vasta: estende-se da Birmânia ao lago de Cam- boja e do golfo de Sião aos confins de Laos. É falado por dois milhões de indivíduos, que seguem o budismo do Sul, e escrito em alfabeto de origem indiana, indicando-se os tons por acentos. Tem
Notas
- ↑ Vid. Fr. João dos Santos, Ethiopia oriental, 11, cap. 7.
- ↑ Vid. Michell, A Siamese-English Dictionary. Lunet de Lajonquière, Dition- naire français-siamois.
- ↑ Mas as línguas indo-chinesas eram antigamente inflexivas, como o teem de- monstrado as recentes investigações. Vid. Grierson, The Languages of India, p. 6.
- ↑ Os nossos antigos escritores chamam a Sião Sornau. Vid. Fernão Mendes Pinto. Duarte Barbosa diz Danseam. «O segundo Reyno continuado a este pela parte do Norte he Chaumúa, os pouos do qual tem lingua per si: e propriamente o Reyno, a que nos chamamos Sião, nome entre elles estranho, e imposto pelos estrangeiros áquelle seu estado, e não per elles». João de Barros, Déc. III, II, 5.