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que o sundanês e o madurês. Escreve-se geralmente em olas ou folhas de palmeira com caracteres javaneses. O seu vocabulário acusa in- gredientes do sânscrito pelo kavi (língua poética de Java), do javanês e do malaio. As classes inferiores falam um dialecto mais vernáculo, isento de exotismos. Encontram-se mui poucos termos portugueses nos dicionários pu- blicados pelos holandeses, que dominam na ilha, e êsses mesmos são de transmissão mediata. Mas é provável que haja mais.
Dayak ou dyak é a principal das doze línguas da vasta ilha de Bornéu. É também o nome genérico da população puramente indí- gena, que é pagã. Nas costas há elementos étnicos malaios, javane- ses, búguis e chineses. O idioma é inculto, nem tem literatura nem alfabeto. Os portugueses tiveram uma feitoria em Bornéu (1590-1643). Os vocábulos portugueses, porêm, que aparecem no dayak, parece te- rem-se introduzido mormente por via do malaio e doutras línguas congéneres, e atento o meio de transmissão e o grau de civilização, não deixa de ser notável o número dêsses vocábulos.
O makassarês (ou macaçarês) tem a sua vivenda na parte meri-
dional da ilha de Celebes, do mesmo nome, e pertence a um grupo
especial[2]. É culto, tem literatura, e possui caracteres próprios, clas-
sificados conforme o alfabeto devanagárico.
No seu léxico entram muitos termos malaios, javaneses, sundane-
ses, chineses e árabes. É assim pelo malaio e pelo javanês, como pela
influência directa, especialmente religiosa[3], muito intensa, que se lhe
transmitiram os vocábulos portugueses[4].
Notas
- ↑ Vid. Matthes, Makassarsch-Hollandseh Woordenboek.
- ↑ «According to Crawfurd this name (Celebes) is unknown to the natives, not only of the great island itself but of the Archipelago generally, and must have arisen from some Portuguese misunderstanding or corruption». Hobson-Jobson. Fernão Pinto chama-lhe «Ilha dos Selebres».
- ↑ Vid. Diogo do Couto, Déc. V, VII, 2.
- ↑ Não se sabe quando e por quem foram introduzidos os termos portu-