Abada (port. ant.: «rinoceronte, fêmea do rinoceronte» [1]). Indo-ingl. abada (obsol.).
A origem do vocábulo é ambígua. Apontam-se dois étimos: o arabe ābida, «animal silvestre, bêsta ruiva» ; e o malaio bādaq, (q quási inperceptível), «rinoceronte». O último tem mais probabilidades em seu favor. Não consta que o termo fôsse conhecido em Portugal antes do século XVI, e os nossos antigos escritores dão a palavra como malaia ou indiana, e consignam tambêm a forma bada [2]. Duarte Barbosa e João de Barros empregam outro termo indiano, ganda, era lugar de abada. [3] O nome próprio de rinoceronte em árabe-persa é karkaddan.
Abafado (subst.: «estufado»); bafado nos crioulos). Conc. bāphád. — Beng. bāphādú. Cf. temperado.
Abano (port. ant. e indo-port. avano, «ventarola, leque» [4]). Sing.
Notas
- ↑ «Os Reynocerontes, que são as abadas». Fr. Gaspar de S. Bernardino, Itinerario da India.
- ↑ «Do Cabo das correntes trazem muytos a Moçambique assi delles (tigres) como de outros animais grandes e dalli vem cornos que querem egualar com os de Abada de Malaca». P. Mondaio (1569), in Bol. S. G. L., 4.ª sér., p. 547. «Rhenocerontes ou Badas». João de Lucena, Historia da Vida do Padre Francisco de Xavier, liv. x, cap. 18.
- ↑ «Ele mandou hũa Ganda ha ElRey noso Sõr». Duarte Barbosa, Livro, ed. da Academia das Sciências, p. 263. «Hũa alimaria... cõ hum corno que tem direito sobre o nariz de comprimento de dous palmos, grosso na raiz e agudo na ponta; á qual os naturaes de Cambaya, donde aquella veyo chamão Ganda: e os Gregos, e Latinos Rhinoceres». João de Barros, Déc. II, x, 1.
- ↑ «Com grandes avanos de pauão redondos, que o vinhão auanando». Gaspar Correia, Lendas da India, i, p. 171. «Com um leque ou abano de ouro na mão». Lucena, op. cit., liv. vii, cap 9.