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Página:Sentença do Processo Nº 4600-15.2018.4.01.380.pdf/37

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JUSTIÇA FEDERAL DE 1ª INSTÂNCIA

Subseção Judiciária de Juiz de Fora – MG
 3ª VARA 

Não foram outras as motivações apresentadas pelo réu, ao ser questionado pelos peritos oficiais e assistentes técnicos indicados pelas partes, por ocasião do exame pericial realizado nos autos do incidente de insanidade mental.

Como exaustivamente tratado na decisão que homologou o laudo psiquiátrico oficial em conjunto com os esclarecimentos complementares da lavra do perito Dr. Fernando Câmara e que reconheceu sua inimputabilidade, o réu acreditava que a vítima participaria de uma conspiração maçônica, que incluía o extermínio dos militantes dos partidos de esquerda e minorias, e que ele era o escolhido de Deus para salvar o Brasil. Neste ponto, é oportuno trazer à baila trecho da fundamentação lançada naquela ocasião:

A par disto, os laudos periciais e os pareceres médicos e psicológicos, ao descreverem de forma apurada as temáticas delirantes existentes na psique do réu, também demonstram que o atentado foi praticado dentro de um contexto psicótico no qual o réu tinha a certeza de que a vítima, então candidato Jair Messias Bolsonaro, faria parte de uma conspiração maçônica para destruir o Brasil:

"Ao ser inquirido quanto ao delito, responde ter havido dois motivos. O primeiro de ordem religiosa e o segundo de ordem política. Quanto ao primeiro motivo, ou seja, o religioso, refere que "ouviu a voz do seu Deus que o mandou matar o candidato, pois dessa forma salvaria o Brasil". Quanto ao motivo político disse haver no Brasil "uma conspiração da maçonaria para tomar o poder e consequentemente entregar as riquezas do Brasil aos maçons, principalmente aos mafiosos italianos"..."Que o governo todo está infiltrado de maçons e Bolsonaro é maçom"..."que ele (o candidato) havia se hospedado em um hotel na cidade de Juiz de Fora – MG. em frente a uma praça onde existem dois monumentos decorativos maçons", mencionou – imagem do Rotary Club (roda de engrenagem) e do Lions Club (leão). também contou "que o calçamento du praça onde na qual se deu a passeata era feita de pedras portuguesas, as quais eram iguais as pedras do piso do pátio e colunas do palácio de Pôncio Pilatos, onde Jesus Cristo foi condenado a morte". Fez menção a outros símbolos da maçonaria observado por ele e que demonstram e reafirmam a sua certeza quanto a conspiração dos mançons. (...) Que tudo isso representa a maçonaria que quer tirar as riquezas (dinheiro, ouro, petróleo) do Brasil. Que Bolsonaro caso eleito, entregaria nossas riquezas ao FMI, aos maçons e à máfia italiana. Que matariam os pobres, pretos, índios quilombolas, homossexuais, só ficando os ricos maçons dominando as riquezas do Brasil."

Na verdade, o réu entrelaça em sua certeza psicótica, a um só tempo, delírios místicos-religiosos, políticos-ideológicos, persecutórios e de referência para criar uma interpretação própria e totalmente distorcida da realidade. Este quadro é agravado pela certeza do réu de que ouve a voz de Deus, que lhe dá comandos específicos, tal como o atentado ao então candidato Jair Messias Bolsonaro.

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