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Página:Sentença do Processo Nº 4600-15.2018.4.01.380.pdf/38

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JUSTIÇA FEDERAL DE 1ª INSTÂNCIA

Subseção Judiciária de Juiz de Fora – MG
 3ª VARA 

Nesta realidade delirante paralela criada por sua psique, o réu afirma também que em 2005, após participar de manifestações contra o mensalão, passou a ser perseguido por maçons e teve seu telefone grampeado. Em 2008, foi perseguido em razão de sua posição assumida contra o "Mensalão". Em razão disto, mudou-se de Uberaba para a região de Florianópolis. Apesar de sua mudança de domicilio. o prefeito de Uberaba continuou a persegui-lo e rastreá-lo.

Neste contexto, o então candidato Jair Messias Bolsonaro participaria de uma conspiração da maçonaria para tomar o poder e entregar as riquezas do país ao FMI, aos maçons e à máfia italiana. Na hipótese de ser eleito, Bolsonaro mataria os simpatizantes da esquerda, pobres, pretos, índios quilombolas e homossexuais para que as riquezas do Brasil ficassem apenas com os maçons. Durante o exame, o réu espontaneamente relatou ao psiquiatra assistente da defesa que no Acre, o então candidato Jair Messias Bolsonaro declarou na televisão que ele, caso eleito, fuzilaria os petralhas ou estes teríam que ir para a Venezuela.

O réu ainda afirmou ao psiquiatra assistente da defesa que tinha certeza de "que se a vítima fosse eleito presidente, de fato colocaria tudo isto em prática". Nos meses que antecederam o atentado, o réu passou a ter revelações que somente ele poderia salvar o Brasil desta destruição. Neste contexto, o réu ouviu a voz de seu Deus dizendo que ele era o escolhido para salvar o Brasil, por meio do atentado contra a vida do então candidato à Presidência da República Jair Messias Bolsonaro.

A certeza do réu de sua visão deturpada da realidade é bem representada pelo trecho do laudo pericial em que os peritos destacam a segurança e calma com que Adélio Bispo de Oliveira descreve seus delírios:

"Seu tom de voz boa parte do tempo era monótono e seguro, como quem tem certeza "das verdades do que relatava". No entanto, ao insistirmos em alguns pontos o periciando chegava a se excitar e tentar nos explicar suas convicções de forma prolixa".

(laudo pericial, f. 245 v)

Veja-se que a fé absoluta do réu acerca da conspiração maçônica e de que ele era o escolhido por Deus para salvar o Brasil também causou um profundo impacto em sua vida, fazendo com que questões essenciais a uma pessoa comum fossem deixadas de lado.

(...)

Também, demonstrando pouco se importar com o fato de estar encarcerado e de eventuais consequências penais ou processuais de seus atos afirmou aos peritos que quando sair cumprirá sua missão de matar o atual Presidente da República, bem como o ex-Presidente Michel Temer, que em sua visão também participaria da conspiração maçônica para conquistar as riquezas do Brasil.

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