nós, em que os mais descorados objectos se tingem de brilhantes cores, em que uma superabundancia de vida parece trasbordar do nosso seio, e vivificar tudo o que nos cerca, a onda rapida da vida vai passando, e de chimera em chimera nos lança fóra do nada da existencia, quando cuidavamos colher a flor promettida pela esperança. O Canto do Cysne diz essa fragilidade da vida com uma simplicidade profundamente tocante, e com aquella harmoniosa tristeza de meditação, que corresponde ao que ha de mais vago, de mais indefinido, e ao mesmo tempo de mais intimo em nossa alma.
Entre tantas outras magnificas harmonias, de que os limites circumscriptos desta noticia não nos permittem dar uma idéa, apparece o Cantico de Waterloo, composição notavel pela novidade das imagens, vigor do colorido, e energia da expressão. Por meio d’ella o Sr. Magalhaens dêo-nos a mostra de que podia tirar das cordas da sua lyra os sons os mais diversos, e todos iguaes na grandeza dos effeitos. Para entoar o cantico desse drama terrivel, que se chama a Batalha de Waterloo, donde a mais gigantesca realidade que ha passado sobre a terra, foi exhalar-se como um sonho na extremidade solitaria dos tres continentes, o engenhoso vate suffoca por momento os accentos favoritos do seu coração. Aqui não sôa mais essa voz docemente gemebunda da Musa, que soffre com o