laparo; tem o focinho comprido, e são muito felpudas, de côr parda; e tem o rabo muito felpudo, o qual víram para cima e passa-lhe a felpa por cima da cabeça, com que se cobrem e trepam muito pelas arvores; onde matam outros bichos, que chamam saguins; do que se mantem, criam em covas debaixo do chão, e tem os dentes muito agudos.
Nos matos da Bahia se criam muitos bogios de diversas maneiras: a uns chamam guigós, que andam em bandos pelas arvores, e como sentem gente, dão uns assovios com que se avisam uns aos outros, de maneira que em um momento corre a nova em espaço de uma legoa, com que entendem que é entrada gente, para se pôrem em salvo. E se atiram alguma flexada a algum, e o não acertam, matam-se todos de rizo; estes bogios criam em tocas de arvores, de cujos frutos e da caça se mantem.
Guaribas é outra casta de bogios que são grandes e mui entendidos; estes tem barbas como um homem, e o rabo muito comprido; os quaes como se sentem flexados dos indios, se não cahem da flexada, fogem pela arvore acima, mastigando folhas, e mettendo-as pela flexada, com que tomam o sangue e se curam; e aconteceu muitas vezes tomarem a flexa que tem em si, e atirarem com ella ao indio que lhe atirou, e ferirem-n’o com ella; e outras vezes deixam-se cahir com a flexa na mão sobre o indio, que os flexou. Estes bogios criam tambem nos troncos das arvores, de cujas frutas se mantem, é de passaros que tomam; e as femeas parem uma só criança.
Saguins são bogios pequeninos mui felpudos e de cabello macio, raiados de pardo e preto e branco; tem o rabo comprido e muita felpa no pescoço, a qual trazem sempre arrepiada, o que os faz muito formosos; e criam-se em casa, se os tomam novos, onde se fazem muito domesticos; os quaes criam nas tocas, das arvores, e mantem-se do fruto d’ellas, e das áranhas que tomam.
Do Rio de Janeiro vem outros saguins da feição d’estes de cima, que tem o pello amarello muito macio, que cheiram muito bem; os quaes e os de traz são muito mimosos, e morrem em casa, de qualquer frio, e das aranhas de