rio de Lisboa, o qual é peixe saboroso e de poucas espinhas.
Tambem se tomam n’estes rios à cana outros peixes a que os indios chamam maturaqué, que são pequenos, largos e muito saborosos.
Ha outros peixes nos rios a que os indios chamam goarara, que são como ruivacas, e tem a barriga grande, os quaes se tomam á cana.
Acarás são outros peixes do rio, tamanhos como bezu. gos, mas tem o focinho mais comprido, que é peixe muito. saboroso; o qual se toma á cana.
Ha outras muitas castas de peixes nos rios de agua doce, que para se escrever houvera-se de tomar muito de proposito mui largas informações, mas por ora deve de bastar of que está, dito para que possamos dizer de algum marisco que se cria na agua doce.
Assim como a natureza criou tanta diversidade de marisco na agua salgada, fez o mesmo nos rios é alagoas da agua doce, como se verá pelos mexilhões que se criam nas. pedras d’estes rios e no fundo das lagoas, que são da feição è tamanho dos do mar, os quaes não são tão gostosos por serem doces.
Tambem se criam nas pedras d’estes rios caramujos maiores que os do mar e compridos, a que os indios chamam sapicaretá.
No fundo das lagoas, nas lamas d’ellas, se criain ameijoas redondas que tem grande miolo, a que os indios chamam como as do mar, as quaes são, pelo lugar onde nascem, muito ensoças.
Mais pelo sertão se criam, nos rios grandes, muito mexilhões de palmo de comprido e quatro dedos de largo, que são pela banda de dentro da cor e lustro da madre perola, que servem de colheres aos indios, os quaes tem grandes miolos, que por serem de agua dôce não são mui gostosos como os do mar.
Tambem se criam n’estes rios muitos e mui diversos camarões, dos quaes diremos o que foi possivel chegar à nossa noticia; começando primeiro dos mais geraes, que os indios chamam potim, que são muitos, do tamanho dos grandes de