— Porco montez, para o autor, ou porcos do mato, como se conhecem actualmente, são os ungulados artiodactylos da familia dos Suideos, genero Tayaçu. — São duas as especies brasileiras: Tayaçu albirostris, Cuv., que é a maior, chamada tayaçú e queixada, e Tayaçu tayaçu, Cuv., que tambem se chama caitatú ou catêto. — Os nomes tayaçûtirica e tayaçûpigta, citados pelo autor, devem reportar-se a essas duas especies; suas etymologias é que carecem de correcção: tayaçûtirica não é, como diz, porco que bate e trinca os dentes, mas porco medroso, timido, que foge, porque tal é a significação do tupi tirica; tayaçûpigta não é porco que aguarda, ou faz fincapé, mas porco vermelho, pigta por pitan. — Em Gabriel Soares acha-se tajaçú por tayaçú. — O vocabulo tayaçú se compõe tây dente, açú grande; com elle se designavam os porcos em geral.
— Acuti, ou cutia, roedor da familia dos Caviideos guê foi assignalado desde o anno de 1500. Vicente Janez (Dasyprocta aguti, Linn.) — Foi Thevet, nas Singularitez de la France Antarctique, quem primeiro descreveu esse animal, que chamou agoutin. Em Hans Staden acuttia. — Baptista Caetano explica o nome tupi por a de gente, cur-tí modo de comer ou tragar, com as patas dianteiras, accórde com a descripção de Cardim. — Nas republicas platinas prevaleceu a fórma aguti ou acuti.
— Paca, roedor da familia dos Caviideos (Coelogenys paca, Linn.) — Do verbo tupi pág acordar, despertar, exprimindo o gerundio-supino páca a esperta, a vivida.
— Iagoáretê, jaguareté ou onça pintada, a especie typica do genero Felis, da familia dos Felideos, representada no Brasil por nove especies. A Felis onca, Linn., é de todas a maior, embora seja um pouco menor do que o tigre asiatico. — O nome tupi jaguaretê é composto de jaguar onça, cão, e etê verdadeiro.