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ULTIMOS CANTOS.
Tu morta, e na sepultura
Que eu tinha aberto pr'a mim!
« Deos, Senhor, quanto foi longo
O vaso em que fel traguei,
Findo o julguei; restão feses,
As feses esgotarei. »
E sobre a rosea face, ora amarella,
A aurora sempre bella radiava,
E o pai, ancião, que a dor rasgava,
Cingia ao corpo seu o corpo delia.
Nem pranto nos seus olhos borbulhava,
E nem nos lábios seus a dor gemia,
E sua alma, qual vaso em calmaria,
Entre vida e morrer immota arfava!
O beijo paternal, por fim, lhe estampa
Na filha, que prazeres só lhe dera;
E filha e pensamento—alguém dissera
Ter juntos sepultado a mesma campa!