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Página:Ultimos cantos- poesias.pdf/287

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D’um fero lobo cerval;
Estilhão-se como as velas
Que no alto mar apanha,
Ardendo na usada sanha,
Subitaneo vendaval.

Bem como serpentes que o frio
Em nós emmaranha, — salgadas
As ondas s’estanhão, pesadas
Batendo no frouxo arcal.
Disseras que viras vagando
Nas furnas do céo entre-abertas,
Que mudas fuzilão, — incertas
Fantasmas do genio do mal!

E no turgido occaso se avista
Entre a cinza que o céo apolvilha,
Um clarão momentaneo que brilha,
Sem das nuvens o seio rasgar;
Logo um raio scintilla e mais outro,
Ainda outro veloz, fascinante,
Qual sentelha que em rapido instante
Se converte d’incendios em mar.

Um som longinquo cavernoso e ouco
Rouqueja, e n’amplidão do espaço morre;