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Página:Ultimos cantos- poesias.pdf/288

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Eis outro inda mais perto, inda mais rouco,
Que alpestres cimos mais veloz percorre,
Troveja, estoura, atrôa; e d’entro em pouco
Do Norte ao Sul, -d’um ponto a outro corre:
Devorador incendio alastra os ares,
Em quanto a noite pesa sobre os mares.

Nos ultimos cimos dos montes erguidos
Já silva, já ruge do vento o pegão;
Estorcem-se os leques dos verdes palmares,
Volteião, rebramão, doudejão nos ares,
Até que lascados baqueião no chão.

Remeche-se a copa dos troncos altivos,
Transtorna-se, tolda, baqueia tambem;
E o vento, que as rochas abala no cerro,
Os troncos enlaça nas azas de ferro,
E atira-os raivoso dos montes além.

Da nuvem densa, que no espaço ondeia,
Rasga-se o negro bojo carregado,
E em quanto a luz do raio o sol roxeia,
Onde parece á terra estar collado,
Da chuva, que os sentidos nos enleia,