ultimos cantos.
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Sentida, chorosa parece que estava,
E o bello menino sentado a chorar
«Perdoa, dizia-lhe, o mal que te hei feilo;
Por minha vontade não hei tornar!
A harpa dourada de subito vibra,
A charpa se agita do seio ao revez;
Das franjas garbosas as pedras reflectem
Infindos luseiros nos humidos pés.
Os peixes pasmados de subito parão
No fundo lusente de puro cristal;
Fantasticos seres assomão ás grutas
Do nitido ambar, do vivo coral!
Entanto o menino se curva e se inclina
For ver mais de perto a donosa visão;
A mãe, longe delle, dizia: — Meu filho,
Não oiças, não vėjas, que é má tentação. —
«Vem meu amigo, dizia
A bella fada engraçada,
Pulsando a harpa dourada:
— Sou boa, não faço mal,