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de Paulo Gonçaluez d'Andrada.


A hum paſſaro que eſtaua com o bico na boca de hũa dama.
XXXXVIII.

PIntada voz, hahitador do vento,
Muſica flor, eſpiritu canoro,
Que exprimes, brando, no volatil coro
Das aues todas o milhor acento,

Ditoſo tu, que do rigor izento,
Que dentro n’alma finto, e n’alma choro,
Colhes da boca de rubi, que adoro.
Cò o bico de criſtal o doce alento.

Se obedecendo a teu ſonoro encanto,
O premio de ofreceo, que me deuia,
Canta meu mal, ou preſtame teu canto:

O canto alcance, o que chorar pedia,
E pois a pena nunqua pode tanto,
Co as armas vencerei da melodia.

Ao