— Ainda tem o pau atravessado no papo, este coitado — disse ella acariciando-lhe a cabeça.
Contou-me que se chamava Manequinho e que era, havia cinco dias, martyr do gallinheiro, desde que num accesso inconsiderado de gula aboccara aquelle graveto. Nada do que comia lhe parava no papo: vinham engulhos e vomitava. E o coitado, que era esganado, havia de sentir tanta fome! O resto da gallinhada já o sabia, e, logo depois da ração matinal e da tarde, fazia-lhe numeroso acompanhamento, á espera do vomito succulento. E o cortejo punha-se em evoluções pelo terreiro, lento e expectante, o frango sorumbatico abrindo a marcha, com os engulhos, e as cabeças avidas a espreitar a hora, prestes para o assalto. Quando o vomito tardava, o augusto patriarcha do quintal, o gallo João de Mello, bicava-lhe a cabeça afflicta, como a dizer-lhe que se apressasse, por favor, que aquillo de andar tanto, era, afinal, cansativo e aborrecido. De repente, num engasgo mais forte, Manequinho estacava: era o momento. Havia então um precipitar-se geral e desordenado;