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Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/165

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VIDA OCIOSA
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Eu desejaria ser indio, ou féra, ou o que quer que seja que respira e sente, vivendo entre os jequitibás centenarios, a conversar o ermo, deus familiar sempre presente onde haja uma arvore frondejante ataviada de bromelias e entrelaçada de lianas. Viver a floresta, entrever-lhe a alma bruta! Mas... lá não vou. E՚ simples porque. A desejal-a me inebrio; possuindo-a, ver-me-ia azoinado de pernilongos, ferretoado de outros insectos, de sorte que o tempo da visita iria em esborrachar essas pequeninas pestes. Alem disso, as orchideas não me pareceriam bem florescidas, nem os cipós bem tramados, nem os jequitibás bem anchos, nem o perigo bem real. Não sei se estarei a plagiar um romancista querido... Mas a verdade é que suas onças e queixadas já se estão fazendo lendarias, sr. Prospero, mais as suas encorreadas antas. Já repararam que tudo que nos contam de bom e digno de ser visto, ou fica para muito longe ou se passou ha muito tempo? Esses escriptores que nos impingem suas maravilhas... Se fossem descrever uma pesca, mostrar--