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Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/175

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VIDA OCIOSA
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tadupeja e espirra, fechando-se em sorvedouro sobre seu gigantesco costado.

— Feche a janella! — interrompeu-se, a um subito pegão de vento que revolveu a casa, despregando da parede velhos chromos de folhinhas.

Fóra, a lufada assobiava numa cerquinha de bambús novos, arrancando-lhe uma assuada de mil silvos agudos e graves. Vastos turbilhões de folhas e poeira revoluteavam no ar. De volta aos beiraes andorinhas retardatarias luctavam com o vento; ás guinadas d՚aqui p՚r՚alli, debatiam-se, buscando o rumo; por momentos, perdido o equilibrio, descahiam, para, rasteiras, com o chão, recomeçarem o vôo e a lucta, numa afflicção d՚asas que traduzia o anseio pelo ninho; e, ás vezes, como vencidas, levava-as o vento, cousas inertes, espaço em fóra.

Pela porta do negocio, aonde eu fôra acudir a batidas urgentes, de envolta com a ventania embarafustaram aos gritinhos duas mulatas, meio cegas do pó, acolhendo-se do temporal. Uma dellas, papuda, trazia uma pequenita acavallada na cinta. A՚ minha vista acanharam-se.