beia e tomba pesadamente de costas. Afinal, encerrava-se aquelle capitulo palpitante. Os homens, tornados em féras durante a perseguição, restituem-se a sêres de pensar e sentimento. No coração desafogado canta-lhes o jubilo da victoria. Riem, rouquejam hurras, bebedos de alegria. E commovem-se então com a sorte da cadellinha, causa indirecta do successo. Querem mostrar ao cadaver a pelle da onça, pesada tunica felpuda. Voltam ao logar da armadilha e defronte o corpo sacodem o trophéo sangrento. E Felicio, chorando, toma a cadellinha nos braços, exclamando: "Pirata! minha Pirata! mesmo morta soubeste ser boa!"
— Nesse momento todos soluçamos, concluiu Prospero; abalados como estavamos de cansaço e emoções, não era difficil passar rapidamente do riso ás lagrimas. E estas justificavam-se. Só uma alma de caçador e numa conjunctura como aquella, pode entender uma affeição assim absurda por um irracional. E alli mesmo, á roda do cadaver, juramos não caçar mais onças em dias de nossa vida. Verdade é que nem todos cumpriram o juramen-