Ir para o conteúdo

Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/205

Wikisource, a biblioteca livre
VIDA OCIOSA
195

da orchestração sonora, affronta de arte á labuta utilitaria das formigas.

Succedem-se os conhecidos marcos de minha róta: a sempre-lustrosa, opada de roxo, alcatifando o chão de petalas cahidas; a porteira, frigida, sob a arqueadura das ramarias encontradas; a curva do rio, o campo entresemeado de cupins... Emfim, a fazenda. Tosando a relva da eira, um animal, já de arreios postos, espera alguem.

— Ô de casa!

Vêm os velhos, vem o Americo.

— Aqui está o homem! exclama Prospero. Já tomou café? Então não o convido para entrar. A cavallo!

— Que é isso?! — espantei-me.

— Pois hoje é quinta, não se lembra? Os peixes já estão pulando na cachoeira. O doutor sabe o rumo, é tocar. Nada de preguiças. Estou hoje disposto até a montal-o á força no animal.

Pedi, objectei, reagi — tudo baldado. Vi-me, sem appello, escanchado no quadrupede. Suppliquei ainda, quasi lacrimoso, mas uma palmada na anca da montaria cortou cerce as ultimas es-