to, a agua é torva, quasi negra; e, ao olhar que lhe escruta a profundeza, essa negrura revela-se feita de cardumes de dorsos escuros, que esfervilham, evolucionando processionalmente no bojo dos remansos, esperando o seu turno de lançar o salto. Lembram correição de formigas, faixas migratorias de gafanhotos, perpassando innumeraveis. Lateralmente derivam fios escassos, delgadas fitas que traçam sinuosidades no lagedo, fazendo escala em caldeirões cavados na rocha. Esses filetes que mal humedecem a pedra, são o varadouro dos peixes infimos, dos embryões de pollegada para menos, que sobem, miniaturas de peixes, por aquellas miniaturas de rio. Nos caldeirões enxameiam aos milhares, negrejando em espiraes — simulácro de nebulosas movediças, que são, em vez de formigamento de astros, um rebolir de germens. Sobem como vermes, reptando, e aos pequeninos arrancos; e, nas intercadencias dos éstos, que estancam os exiguos manadeiros, adherem ao limo, expectantes, em fórmas glutinosas de sanguesugas.
Por toda a parte é a obsessão do