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Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/257

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VIDA OCIOSA
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Os oculos! Era grave. O velho só os punha em circumstancias excepcionaes.

Ageitou-os atraz das orelhas e, voltando-se de novo para o filho:

— Americo, dê-me a caixinha.

Recebeu das mãos do filho um pequeno volume embrulhado em papel de seda e amarrado com uma fita; e, voltando-se para mim, começou em voz pausada:

— Sr. doutor, nós temos contas velhas que ajustar. Faz alguns annos que o senhor nos dá o prazer de frequentar o nosso rancho. Lá o recebemos, não como hospede e sim como filho. No entanto, o senhor ― e aqui brandiu o indicador ameaçadoramente — de cada vez que nos visita deixa um pacotinho de pratas, como se lhe cobrassemos nosso feijão. Nunca nos recusamos a recebel-as, para pôl-o mais á vontade; secretamente, porêm, conspiramos uma vingança, isto ha mezes, ha annos, esperando que não a levasse a mal.

— Mas... ia-me eu defendendo.

— O senhor é muito orgulhoso — e o dedo brandiu de novo — muito