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Página:Vidas Sêcas 2nd edition.pdf/47

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vidas sêcas

cendo, coitada. Sinha Vitória, inquieta, com certeza fôra muitas vezes escutar na porta da frente. O galo batia as asas, os bichos bodejavam no chiqueiro, os chocalhos das vacas tiniam.

Se não fôsse isso... An! em que estava pensando? Meteu os olhos pela grade da rua. Chi! que pretume! O lampião da esquina se apagara, provàvelmente o homem da escada só botara nêle meio quarteirão de querosene.

Pobre de sinha Vitória, cheia de cuidados, na escuridão. Os meninos sentados perto do lume, a panela chiando na trempe de pedras, Baleia atenta, o candeeiro de fôlha pendurado na ponta de uma vara que saía da parede.

Estava tão cansado, tão machucado, que ia quási adormecendo no meio daquela desgraça. Havia ali um bêbedo tresvariando em voz alta e alguns homens agachados em redor de um fogo que enchia o cárcere de fumaça. Discutiam e queixavam-se da lenha molhada.

Fabiano cochilava, a cabeça pesada inclinava-se para o peito e levantava-se. Devia ter comprado o querosene de seu Inácio. A mulher e os meninos agüentando fumaça nos olhos.

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