Acordou sobressaltado. Pois não estava misturando as pessoas, desatinando? Talvez fôsse efeito da cachaça. Não era: tinha bebido um copo, tanto assim, quatro dedos. Se lhe dessem tempo, contaria o que se passara.
Ouviu o falatório desconexo do bêbedo, caíu numa indecisão dolorosa. Êle também dizia palavras sem sentido, conversava à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. Era bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Estava prêso por isso? Como era? Então mete-se um homem na cadeia porque êle não sabe falar direito? Que mal fazia a brutalidade dêle? Vivia trabalhando como um escravo. Desentupia o bebedouro, consertava as cêrcas, curava os animais — aproveitara um casco de fazenda sem valor. Tudo em ordem, podiam ver. Tinha culpa de ser bruto? Quem tinha culpa?
Se não fôsse aquilo... Nem sabia. O fio da idéia cresceu, engrossou — e partiu-se. Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos... Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. O demônio daquela historia entra-