Página:Yayá Garcia.djvu/194

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


de um jeito lânguido. Durante essa pausa de alguns minutos, Jorge pôde analisar as feições de Procópio Dias, pouco próprias a fascinar uns olhos de dezesseis anos, e achou natural que Iaiá não se sentisse tomada de cego entusiasmo. Contudo, não era impossível corresponder-lhe de algum modo, se a razão tomasse as rédeas ao coração. Jorge supunha até que houvesse em Iaiá uma semente de simpatia, que bastava fazer germinar.

Entrando no quarto que lhe fora destinado, Procópio Dias estava longe de ter sono; a excitação trazia-o esperto. Entrou, abriu a janela e olhou ao largo. O aroma vivo das plantas da chácara ainda mais lhe apurou o sistema. Não era homem de contemplar estrelas nem de fazer filosofias acerca da solidão noturna e do sono das coisas; limitou-se a pensar no que acabava de ouvir.

— Gosta da Estela, murmurou ele, antes de jurar podia ser duvidoso; depois do juramento é positivo, se ela não gosta dele faz mal; é um rapaz de espavento.

Depois, abriu as asas ao pensamento e foi direito a Iaiá, galgando o espaço e derrubando paredes; foi e contemplou o seu sono de virgem, que ele supunha