Página:Yayá Garcia.djvu/212

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— Exijo.

"Que me pedirá ela que lhe não possa afirmar?" pensou Jorge. E em voz alta respondeu:

— Dou.

— Foi ele quem lhe encomendou...

— O sermão? interrompeu Jorge sorrindo. Serei franco; foi ele mesmo.

Iaiá baixou os olhos ao tabuleiro, cavalgou a torre com o bispo, como distraída, e em voz ainda mais baixa do que lhe falara, perguntou:

— O senhor é homem de segredo?

— Sou, redargüiu afoitamente Jorge.

— Pois bem, continuou Iaiá, eu gosto dele, gosto muito, mas não desejo que ele saiba.

— Deveras? não está gracejando?

— Não estou.

Jorge estendeu-lhe a mão: — Magnífico, disse ele alegre; não é preciso mais. Uma vez que se amam, virão naturalmente a...

Não pôde acabar, porque a moça, erguendo-se de súbito, afastou-se da mesa, com um arremesso, e dirigiu-se à janela, que dava para o jardim. Jorge ficou espantado. Não entendia o que estava vendo. Inclinou-se sobre o tabuleiro e começou a mover as peças, sozinho, sem plano, maquinalmente. Assim jogando, ouvia o som do tacão de Iaiá que feria o ladrilho do chão, com um movimento