Página:Yayá Garcia.djvu/230

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Felizmente passou. Está aqui há muito tempo? Eu agitei-me muito?

— Falaste em voz bem alta.

— Que foi?

— "Dize-me que não amas e eu te amarei como te amava." Não sei que estas palavras se possam dizer no fundo de um abismo. Tu confundes os sonhos...

— Talvez; não me lembra outra coisa. Só me lembro do abismo, que felizmente não passou da minha imaginação. É muito tarde, não é?

— Nove horas.

— Nove horas!

Estela foi à janela, e, abrindo a veneziana, mostrou-lhe o sol. Depois encostou-se ali a olhar para fora. Entrara alguns minutos antes, admirada do prolongado sono da enteada, e ia pousar-lhe a mão no ombro, quando ouviu aquela palavra balbuciada no meio de grande agitação; palavra misteriosa e vaga, mas que se lhe embebeu no coração como um espinho. De sua parte, Iaiá não estava menos inquieta. Receava que houvesse dito alguma coisa mais, — um nome ou uma circunstância precisa; — em todo caso, era bastante o que ouvira a madrasta, para imaginar, que o sonho lhe escancarara as portas da consciência.