Página:Yayá Garcia.djvu/260

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não foi longa. Alguns minutos de silêncio bastaram a aplacá-la ou diminuí-la; pelo menos o gesto não traiu a agitação interior. Pálido, sim, estava pálido; mas a voz se não era firme, perdera a aspereza do primeiro instante.

— Refleti depois da nossa conversa, disse ele, e não desejo tomar nenhuma responsabilidade em um ato de que depende a felicidade de sua vida.

— Então, não me estima, é o que é, disse Iaiá em voz queixosa.

Jorge respondeu com um olhar, e a resposta que ele quisera fosse um simples protesto, transgrediu esse limite: foi um protesto, uma queixa e acaso uma interrogação. Iaiá abaixou os olhos; uma onda de sangue lhe avermelhou a face; Jorge viu-a ofegante e acanhada durante alguns segundos. Não indagou o motivo; ergueu-se para sair. Iaiá reteve-o pela aba do fraque.

— Nega-me então todo o auxílio? disse ela. Depois de alguns meses de uma vida em que me acostumei a ouvir seus conselhos, o senhor recusa-me este. Que lhe fiz eu?

— Nada.

Jorge saiu. — Que tenho eu que ela ame, que se case ou não se case? Sou eu seu pai? seu tutor? Quando assim falava, sentia dentro de si