Página:Yayá Garcia.djvu/303

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e se essa carta a fez pasmar, a de Jorge fê-la gemer. O noivo desenganado recorria à intervenção de Estela. A primeira amada desse homem era agora a sua confidente, a quem escrevia sem saudade, sem remorso, talvez sem hesitação.

— Sogra! concluiu Estela com amargura; e erguendo os olhos do papel para o espelho, que pendia da parede fronteira, contemplou caladamente as suas graças ainda em flor. Iaiá entrou nessa ocasião. A madrasta chamou-a ao pé de si, e mostrando-lhe o bilhete que escrevera ao noivo, perguntou-lhe o que queria dizer aquilo. A enteada ficou silenciosa durante alguns segundos; mas a resolução deu-lhe força e tranqüilidade.

— Quer dizer o que aí está escrito, respondeu ela; não posso casar com o Dr. Jorge.

— Por quê?

— Não posso.

— Por quê? repetiu Estela com autoridade.

— Amo a outra pessoa.

— Não creio; tem decerto outro motivo.

— Que motivo?

— Nenhum que seja sensato, acudiu a madrasta, mas algum há de haver, que não seja esse. O