Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923)/Cysnes brancos

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V
CYSNES BRANCOS

O’ cysnes brancos, cysnes brancos,
Porque viestes, se era tão tarde?
O sol não beija mais os flancos
Da montanha onde morre a tarde.

O’ cysnes brancos, dolorida,
Minh’alma sente dores novas.
Cheguei á terra promettida:
E’ um deserto cheio de covas.

Voae para outras risonhas plagas,
Cysnes brancos! Sêde felizes...
Deixae-me só com as minhas chagas,
E só com as minhas cicatrizes.

Venham as aves agoireiras,
De risada que esfria os ossos...
Minh’alma, cheia de caveiras,
Está branca de padre-nossos.

Queimando a carne como brazas,
Venham as tentações damninhas,
Que eu lhes porei, bem sob as azas,
A alma cheia de ladainhas.

O’ cysnes brancos, cysnes brancos,
Doce afago de alva plumagem!
Minh’alma morre aos solavancos
Nesta medonha carruagem...