Pilha aqui, pilha alli, vocêa auctores

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
(Pilha aqui, pilha alli, vocêa auctores)
por Bocage
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas como Soneto XXIV. Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Soneto ao Leitão.[1]

Pilha aqui, pilha alli, vocêa auctores,
Montesquieu, Mirabeau, Voltaire, e varios;
Propõe systemas, tira corollarios,
E usurpa o tom d′emphaticos doutores:

Sciencia de livreiros e impressores
Tem da vasta memoria nos armarios;
E tratando os christãos de visionarios,
Só rende culto a Venus, e aos Amores:

A mulher, que a barriga lhe tem fórra
Do jugo da vital necessidade,
Deixa em casa gemer como em masmorra:

Este biltre labéo da humanidade,
É um tal bacharel Leitão de borra.
Lascivo como um burro, ou como um frade.

Notas[editar]

Tanto este como os que se seguem XXI, XXII, XXIII e XXIV acham-se impressos no tomo I da já citada edição de Bocage; mas pareceu acertado reproduzil-os por conterem variantes; como se verá da respectiva confrontação de cada um d′elles com o que lhe corresponde. Lá se encontrará também a indicação dos seus assumptos, que por superflua deixamos de trasladar aqui.

[Nota de Inocêncio Francisco da Silva.]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.