Rosa, rosa de amor (1902)/Olhos verdes

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Olhos Verdes
por Vicente de Carvalho
Poema publicado em Rosa, rosa de amor (1902).

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Olhos encantados, olhos côr do mar
Olhos pensativos que fazeis sonhar!

Que formosas coisas, quantas maravilhas
Em vos vendo sonho, em vos fitando vejo:
Cortes pittorescos de afastadas ilhas
Abanando no ar seus coqueiraes em flôr,
Solidões tranquillas feitas para o beijo,
Ninhos verdejantes feitos para o amor...

Olhos pensativos que falais de amor!

Vem cahindo a noite, vai subindo a lua...
O horizonte, como para recebel-as,
De uma fimbria de oiro todo se debrua;
Afia a brisa, cheia de ternura ousada,
Esfrolando as ondas, provocando nellas
Bruscos arrepios de mulher beijada...

Olhos tentadores da mulher amada!

Uma vela branca, toda alvor, se afasta
Balançando na onda, palpitando ao vento;
Eil-a que mergulha pela noite vasta,
Pela vasta noite feita de luar;
Eil-a que mergulha pelo firmamento
Desdobrado ao longe nos confins do mar...

Olhos scismadores que fazeis scismar!

Branca vela errante, branca vela errante,
Como a noite é clara! como o céu é lindo!
Leva-me comtigo pelo mar... Adeante !
Leva-me comtigo até mais longe, a essa
Fimbria do horizonte onde te vais sumindo
E onde acaba o mar e de onde o céu começa...

Olhos abençoados, cheios de promessa !

Olhos pensativos que fazeis sonhar,
           Olhos côr do mar !