Rosa, rosa de amor (1902)/Ultima confidencia

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— E si acaso voltar ? Que hei de dizer-lhe, quando
       Me perguntar por ti?
— Dize-lhe que me viste, uma tarde, chorando ...
       Nessa tarde parti.

— Si arrependido e ancioso elle indagar: «Para onde?
       Por onde a buscarei?»
— Dize-lhe : « Para além... para longe...» Responde
       Como eu mesma: «Não sei.»

Ai, é tão vasta a noite! A meia luz do occaso
       Desmaia... Anoiteceu...
Onde vou? Nem eu sei... Irei seguindo ao acaso
       Até achar o céu.

Eu cheguei a suppôr que possivel me fosse
       Ser amada — e viver.
E’ tão facil a morte... Ai, seria tão doce
       Ser amada... e morrer!...

Ouve: conta-lhe tu que eu chorava, partindo,
       As lagrimas que vês...
Só conheci do amor que imaginei tão lindo,
       O mal que elle me fez.

Narra-lhe transe a transe a dor que me consome...
       Nem houve nunca egual!
Conta-lhe que eu morri murmurando o seu nome
       No soluço final!

Dize-lhe que o seu nome ensanguentava a bocca
       Que o seu beijo não quiz:
Golpha-me em sangue, vês? E eu, murmurando-o, louca!
       Sinto-me tão feliz!

Nada lhe contes, não... Poupa-o... Eu quasi o odeio,
       Occulta-lh’o! Senhor,
Eu morro!... Amava-o tanto... Amei-o sempre... Amei-o
       Até morrer... de amor.