Soneto (No Meu Peito Arde...)

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Soneto (No Meu Peito Arde...)
por Augusto dos Anjos


No meu peito arde em chamas abrasada

A pira da vingança reprimida,

E em centelhas de raiva ensurdecida

A vingança suprema e concentrada


E espuma e ruge a cólera entranhada,

Como no mar a vaga embravecida

Vai bater-se na rocha empedernida,

Espumando e rugindo em marulhada


Mas se das minhas dores ao calvário,

Eu subo na atitude dolorida

De um Cristo a redimir um mundo vário,


Em luta co'a natura sempitema,

Já que do mundo não vinguei-me em vida,

A morte me será vingança eterna.