Tradução:Relato de Contos por Rebbe Nachman de Breslov/3

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Conto 3: O Manco[editar]

Tradução:Relato de Contos por Rebbe Nachman/3

[A viagem do filho a Leipzig e a emboscada de ladrões][editar]

Certa vez havia um sábio. Antes de sua morte ele chamou seus filhos e sua família e lhes deixou um testamento que eles deveriam regar árvores. Eles podiam também se ocupar com outras fontes de renda porém isso eles deveriam sempre fazer: regar árvores. Depois o sábio faleceu. E deixou filhos. E ele tinha um filho que não podia caminhar. Ficar de pé ele sim podia, só que caninhar ele não podia. E os irmãos costumavam lhe dar o suficiente para o seu sustento. E eles lhe davam tanto que até lhe sobrava. E ele ia poupando pouco à pouco do que sobrava de sua renda até que ele juntou muito dinheiro. Então ele pensou consigo mesmo: "Para que eu preciso receber sustento deles? Melhor que eu comece a ter um negócio". E apesar de ele não poder caminhar ele resolveu que iria alugar uma carruagem com um servo confiável e um condutor de carruagem e que iriam viajar até Leipzig onde ele poderia realizar o negócio, apesar de não poder caminhar. Assim que a família ouviu isso o fato lhes agradou muito e disseram também: "Para que nós temos que sustentá-lo? Melhor que ele tenha o seu próprio sustento" E lhe emprestaram mais dinheiro para que ele pudesse dirigir o negócio.

E ele assim o fez. E alugou uma carruagem e um servente fiel e um condutor de carruagem. E partiu. E chegou em uma hospedagem. E o servente fiel disse que eles pernoitassem lá. E ele não quiz. Por mais que eles lhe pedissem ele teimosamente lhes negava. Então eles partiram de lá e se perderam em uma floresta. E ladrões os atacaram. E esses ladrões se tornaram ladrões por força das circunstâncias. Certa vez houve uma fome e então alguém veio à cidade e anunciou quem quizesse viesse até ele. E muitas pessoas vieram até ele e ele os olhava com astúcia. Aqueles que ele via que não lhe serviriam ele os repelia. Para uns ele dizia: "Vocês podem ser donos de negócios". Para outros ele dizia: "Vocês podem trabalhar no moinho". E escolheu apenas pessoas inteligentes. E foi com eles à floresta. E lhes disse que eles se tornassem ladrões pois de lá partiam caminhos para Leipzig para Breslaw e para outros lugares e comerciantes viajavam por lá. "Nós os roubaremos e teremos dinheiro". (Assim o ladrão que tinha anunciado anteriormente na cidade lhes disse) . E os ladrões os atacaram (ou seja, esse que não podia caminhar e os seus homens, ou seja, o servo fiel e o condutor da carruagem) O servo fiel e condutor da carruagem, que podiam fugir, fugiram. E ele permaneceu no vagão. Então os ladrões chegaram até ele e lhe roubaram a caixa com o dinheiro e lhe perguntaram: "Por que estás sentado?" E ele respondeu que não podia caminhar. E eles lhe roubaram a caixa com o dinheiro e os cavalos e ele permaneceu no vagão.

E o servo fiel com o condutor da carruagem que tinham fugido pensaram consigo mesmo de que pelo fato de eles terem pego empréstimo dos donos de terras, desse que não podia caminhar, então para que voltar para casa, pois eles poderiam ser acorrentados. Melhor ficar por ali (ali onde eles tinham fugido) e lá eles seriam um servente fiel e um condutor de carruagem. E esse que não podia caminhar, que permanecera no vagão, todo o tempo em que ele ainda tinha das provisões que trouxera consigo de casa ele a comia, depois quando elas já terminaram e ele não tinha do que comer ele então pensou consigo mesmo: "O que fazer?" Então ele se jogou do vagão para comer grama ele dormiu sozinho no campo. E ele ficou apavorado e a força dele se foi e ele já não podia nem mesmo ficar de pé, apenas rastejar. E ele costumava comer da vegetação que havia ao seu redor. E todo o tempo em que ele podia alcançar a vegetação e comer ele comia. Depois quando a vegetação ao seu redor já terminara, e que ele já não podia mais alcançá-la, ele se rastejava mais adiante e comia mais adiante. E ele assim comeu da vegetação durante um tempo.

[O filho encontra um diamante com quatro encantos][editar]

Certo dia ele chegou até um vegetal que ele ainda não tinha comido um vegetal assim. E vegetal muito o agradou pois ele comera muito tempo vegetais e ele já os conhecia, porém um vegetal assim como esse ele nunca tinha visto. E ele pensou consigo mesmo que ele iria retirá-lo com a raíz. E embaixo da raíz havia um diamante. E o diamante tinha quatro pontas e cada lado do diamante tinha em si uma virtude diferente. Em um dos lados do diamante estava escrito que quem o segurasse por esse lado seria conduzido para o lugar onde o dia e a noite se encontram, ou seja, onde o sol e a lua se encontram juntos. E quando ele arrancou vegetal com a raíz (onde lá estava o diamante) ocorreu que ele o segurou nesse lado (ou seja, no lado onde a virtude era de o conduzir ao local onde o dia e a noite se juntam). E ele foi conduzido para lá, onde o dia e a noite se juntam. Ele olhou ao redor e já estava lá onde o dia e a noite (ou seja, o sol com a lua) se encontram juntos e ele ouviu como o sol e a lua conversavam.

E o sol reclamava com a lua de que existia uma árvore que tinha muitos galhos, frutos e folhas. E cada galho e cada fruto e cada folha tinha em si uma virtude específica. Essa era específica para ter filhos e essa era específica para ter sustento e essa era específica para curar determinada doença e essa era específica para uma outra doença. Cada parte da árvore era específica para uma coisa diferente. E a árvore precisava ser regada. E quando a regavam ela então era de muito proveito [mesugal]. "E não basta que eu não a rego eu também brilho sobre ela e a seco".

E a lua lhe respondeu (para o sol) : Você se preocupa com estranhas preocupações. Eu vou te contar a minha preocupação. Tendo eu mil montanhas e em volta das mil montanhas têm mais outras mil montanhas e lá é a terra dos demônios e os demônios tem pés de galo e eles não têm nenhuma força nos pés e eles pegam força do meu pé por isso eu não tenho nenhuma força nos meus pés e eu tenho um pó e esse pó é um remédio para os meus pés e vem um vento e o leva embora".

E o sol respondeu: "É por isso que você se preocupa?" Eu vou te dizer uma cura. Pois existe um caminho e desse caminho partem vários caminhos. Um caminho é dos justos. E mesmo justo que lá se encotra lhe jogam do pó desse caminho em cada passo seu. E cada passo que ele dá ele caminha sobre esse pó. E tem um caminho dos heréticos, e o herético que lá está lhe jogam do pó em cada passo seu. E existe um caminho dos loucos e mesmo um louco que lá se encontra lhe jogam do pó em cada passo seu. E assim existem vários caminhos. E existe um caminho onde se encontram justos que receberam sobre si sofrimentos e os donos de terras os conduzem em correntes e eles não têm nenhuma força nos pés e lhes jogam do pó desse caminho e eles então têm força nos pés. Portanto vá para lá pois lá tem muito desse pó e você obterá a cura para os pés". (Isso tudo disse o sol para a lua) . E ele ouviu tudo isso (ou seja, esse que não tinha nenhuma força nos pés ouviu tudo isso).

[O Filho é curado e os ladrões se arrependem][editar]

Nesse ínterim ele deu uma olhada no diamante no outro lado. E ele viu que estava escrito lá que quem o segurasse por esse lado seria conduzido para o caminho do qual partem dele vários caminhos (ou seja o caminho que o sol informara a lua) . E ele então o segurou por esse lado ele então foi conduzido para lá (ou seja para esse caminho). Ele colocou então o pé no caminho onde o pó era uma cura para os pés e ele ficou imediatamente curado. E ele foi e pegou do pó de todos caminhos e cada pó específico colocou-o em um embrulho, ou seja, pó do caminho dos justos colocou-o em um embrulho e assim com o pó dos outros caminhos para cada um ele fez um embrulho específico. E Lhe fez embrulhos dos pós e os levou consigo. E pensou consigo mesmo e foi para a floresta onde lá o assaltaram. Assim que ele lá chegou ele escolheu para si uma alta árvore que ficava próxima do caminho de onde partiam os ladrões para assaltar. E pegou o pó dos justos e o pó dos loucos. E os misturou juntos e os espalhou no caminho. E ele então subiu na árvore e lá sentou para observar o que iria acontecer com eles.

E ele viu como que os ladrões partiam após o chefe dos ladrões os ter enviado para roubar. Assim que os ladrões chegaram no caminho, logo que deram um passo pelo pó eles se tornaram justos e começaram a gritar pelos seus anos e dias em que eles passaram até então roubando e que mataram tantas almas. Porém lá também estava misturado o pó dos loucos e então eles se tornaram justos loucos. E eles começaram a brigar um com o outro. Esse falava: "Por tua causa nós matamos", e esse falava: "Por tua causa" eles assim brigavam até que eles se mataram uns aos outros. Então o chefe dos ladrões enviou outra vez outros e também ocorreu como antes. Eles também se mataram uns aos outros. E assim foi cada vez até que todos eles morreram. Até que ele compreendeu (ou seja, esse que anteriormente não tinha nenhuma força nos pés e que subira na árvore) que já não sobrara nada dos ladrões. Só ele próprio (ou seja o chefe dos ladrões que os tinha convencido a todos, conforme mencionado anteriormente) com um outro. Ele então desceu da árvore e retirou o pó do caminho, e espalhou o pó dos justos e ele foi e novamente sentou-se na árvore.

E o chefe dos ladrões (que enviou à todos os seus homens e eles não retornaram a ele) ficou muito surpreso pois enviou todos os ladrões e nenhum deles retornou. Então ele pensou consigo mesmo e decidiu ir sozinho com o outro que sobrara com ele. E logo que ele chegou no caminho (onde lá estava espalhado apenas o pó dos justos) ele se tornou um justo. E começou a gritar para o outro pelos seus anos e dias em que matara tantas almas e que tanto roubara. E cavou tumbas e fez penitência e teve um arrependimento muito grande. Assim que ele viu (ou seja, esse que estava sentado na árvore) que ele tinha se arrependido e fizera penitência então ele desceu da árvore. Assim que o viu uma pessoa, começou a gritar com ele: "Coitado de mim, eu fiz assim e assim, que tragédia, dê-me uma forma de me redimir" E ele então lhe respondeu: "Devolva-me a caixa que você roubou de mim" . Pois entre eles havia um escrito sobre cada roubo, quando tinha sido o roubo e de quem isso fora roubado. Então ele lhe disse: "Eu te devolverei imediatamente, eu te darei de presente até mesmo todos os tesouros que eu tenho dos roubos, apenas dê-me uma forma de me redimir" Então ele lhe disse: "A forma de você se redimir é apenas que você vá até a cidade e proclame e confesse: "Eu sou aquele que proclamou naquela ocasião (conforme mencionado) e fiz tantos assaltos e matei e assaltei tantas almas". Essa é a tua penitência" o ladrão deu lhe então todos os tesouros e foi com ele até a cidade e assim o fez. E lá na cidade foi sentenciado que por ele ter matado tantas almas, por isso o enforcariam, para que soubessem. Ou seja, para que outros pudessem aprender.

[Às Duas Mil Montanhas com os Demônios][editar]

Mais tarde ele pensou consigo (ou seja, esse que antes não tinha nenhuma força nos pés) que ele iria até as duas mil montanhas (mencionadas anteriormente) para ver o que se faz lá. E ele então se posicionou a uma certa distância das duas mil montanhas. E ele viu que lá existiam tantos e tantos milhares de milhares e um número incontável de famílias de demônios pois eles cresciam e se multiplicavam e tinham filhos assim como os homens. E eles eram muito numerosos. E ele viu que o seu rei estava sentado em um trono que nenhum ser nascido de uma mulher (ou seja, nenhum ser humano) jamais sentara em um trono como esse. E ele viu como eles faziam palhaçadas: um dizia que machucara uma criança e esse dizia como que machucara a mão de alguém e esse dizia como ele machucara a perna de alguém e assim outras palhaçadas.

Nesse ínterim ele viu como um pai e uma mãe iam e choravam e lhes perguntaram: "Por que vocês estão chorando?" E eles responderam que tinham um filho e era o seu costume de ir para o seu caminho e nesse tempo ele costumava já estar de volta e agora já fazia muito tempo e ele ainda não voltara (e eles todos eram demõnios, o pai a mãe e o filho) eles foram então levados ao rei. E o rei ordenou que se mandassem enviados em todo o mundo para que o procurassem. Assim que o pai e a mãe voltaram do rei eles encontraram um que ia junto com o seu filho e ele lhes perguntou: "Por que vocês estão chorando?" E eles lhe contaram. E ele lhes respondeu: "Eu vou contar à vocês: nós tínhamos uma ilha no mar e lá era o nosso local. Então veio o rei à quem a ilha pertencia e quis construir lá palácios e já tinha colocado lá até as fundações. Então o vosso filho disse para mim que nós fôssemos machucá-lo. Então nós fomos e tiramos a força do rei. E ele ficou então ocupado com médicos e eles não conseguiam ajudá-lo. E então ele começou a se ocupar com feiticeiros e lá havia um feiticeiro que conhecia a sua família e a minha família ele não conhecia e por isso ele não podia me fazer nada. Porém a sua família ele conhecia. Então ele o pegou e está torturando muito (ou seja, ele o maltrata muito). Então o levaram para o rei (ou seja, o demônio que contou tudo isso) e ele também contou tudo isso diante do rei. E o rei disse: "Que a força seja devolvida para o rei". E ele respondeu que havia um entre eles que não tinha força e que ele lhe tinha dado a força. Então o rei disse: "Peguem a força dele e a devolvam ao rei". E ele lhe respondeu: "Ele se transformou em uma nuvem (ou seja, o demônio à quem eles deram a força do rei, esse demônio se transformou em uma nuvem). O rei então disse que chamassem a nuvem e que a trouxessem até ele. E mandaram então um enviado até ele.

[Como um demônio se torna uma nuvem][editar]

Então ele refletiu (ou seja, esse que não tinha anteriormente nenhuma força nas pernas e que tinha visto tudo isso): "Eu também vou e verei como se faz desses seres uma nuvem". E ele foi atrás do enviado e chegou na cidade onde lá estava a nuvem. E ele perguntou às pessoas da cidade: "Por que havia uma nuvem lá na cidade?" Eles lhe responderam: "Aqui na cidade, pelo contrário, nunca tem nenhuma nuvem, apenas de um tempo atrás que uma nuvem como essa cobriu a cidade". E o enviado veio e chamou a nuvem. E ela se foi de lá. E ele refletiu (ou seja, esse que não tinha anteriormente nenhuma força nas pernas) que leiria segui-los para ouvir o que eles conversavam. E ele ouviu como o enviado lhe perguntou: "Como foi que você se tornou uma nuvem aqui?" E ele lhe respondeu: "Eu vou te contar uma estória: certa vez havia um sábio e o imperador do país era um grande descrente e ele transformou todo o país em descrentes.

[O Sábio-Ancião não tem medo dos demônios][editar]

O sábio foi então e chamou toda a sua família e lhes disse: "Como vocês vêm o imperador é um grande descrente e transformou todo o país em descrentes e uma parte de nossa família ele também já transformou em descrentes. Portanto vamos partir para o deserto para que permaneçamos com a nossa fé em D'-s Abençoado Seja Ele". E eles concordaram com isso. O sábio então pronunciou um Nome sagrado que os levou até o deserto. E o deserto não o agradou. Então ele novamente pronunciou um Nome sagrado que os levou para um outro deserto e esse deserto também não o agradou. Então ele pronunciou mais um Nome sagrado que os levou novamente para um outro deserto. E esse deserto sim o agradou. E o deserto ficava próximo das duas mil montanhas (mencionadas anteriormente). Então o sábio foi e fez um círculo em torno deles para que ninguém pudesse se aproximar deles.

E existe uma árvore que se fosse regada então de nós (ou seja, dos demônios) não sobraria nada. E por isso sempre temos dos nossos que cavam dia e noite e não permitem que chegue nenhuma água à essa árvore". E o outro então lhe perguntou: "Para que precisam ficar dia e noite cavando, pois cavando uma vez para que a água não possa chegar já é o suficiente?" E ele lhe respondeu: "Pois existem entre nós falantes e esses falantes vão e provocam brigas entre esse rei e esse rei e através disso provocam guerras e através das guerras têm tremores de terra e a terra em volta das escavações caem e então a água pode chegar até a árvore. Por isso nós precisamos estar sempre cavando. E quando se aponta um rei entre nós, se faz para ele todos os tipos de palhaçadas e nos divertimos: esse conta como machucou uma criança e como a mãe se enlutou por ele e esse mostra outras palhaçadas e assim muitos tipos de palhaçadas. E quando o rei chega ele se alegra e ele então vai passear com os ministros do rei e ele tenta arrancar a árvore, pois se não sobrar nada da árvore será muito bom para nós. E o rei endurece muito o seu coração a fim de arrancar a árvore completamente. E assim que ele chega até a árvore a árvore dá um grande grito e então recai sobre ele um medo e ele precisa então voltar.

Certa vez houve um novo rei entre nós (ou seja, entre os demônios, pois tudo isso foi contado pela nuvem ao enviado, conforme mencionado) e fizeram para ele grandes palhaçadas, conforme mencionado anteriormente. E ele então se encheu de uma grande alegria e fez o seu coração se endurecer muito e quiz arrancar a árvore completamente e saiu para passear com seus ministros e endureceu muito o seu coração. E correu para arrancar a árvore por completo. Assim que ele chegou até a árvore ela lhe deu um grande grito. E recaiu sobre ele um medo e ele retornou e ficou muito irritado. E então ele retornou. Nesse ínterim ele deu uma espreitada e viu pessoas sentadas (era o sábio com seus homens). Então o rei enviou dos seus companheiros para que eles fizessem algo (ou seja, lesá-los como era do seu costume). Assim que a família do sábio os viu recaiu sobre eles um grande medo. Então o velho homem (ou seja, o sábio citado anteriormente) lhes disse: "Não temam". Assim que os demônios chegaram lá eles não puderam se aproximar por causa do círculo que havia em torno deles. E então ele mandou outros enviados. E eles também não conseguiram se aproximar. Então o rei ficou muito irritado e foi ele mesmo e ele também não conseguiu se aproximar deles.

Então ele pediu para o velho homem que o deixasse entrar lá até eles. E o velho homem lhe disse: "Por você ter me pedido eu vou sim te deixar entrar. E como não é costume que um rei venha sozinho então eu te deixarei vir acompanhado de outro. "Ele então abriu-lhes uma abertura e eles entraram. E ele novamente fechou o círculo. Então o rei falou para o velho homem: "Como é que você veio se estabelecer no nosso local?" E ele então lhe disse: "Por que é vossa terra? É minha terra". E o rei disse para o velho homem: "Você não tem nenhum medo de mim?" E ele disse: "Não". E ele disse novamente: "Você não tem nenhum medo? "E ele então se esticou e se fez muito grande, até o céu, e quiz engolí-lo. E velho homem disse: "Eu ainda não tenho nenhum medo de ti, no entanto se eu quizer, você sim terá medo de mim". E foi e rezou um pouco se fizeram grandes nuvens e se fizeram grandes trovões e trovão os aniquila. E se aniquilaram todos os seus ministros que estavam com ele e sobrou apenas o rei com o que o acompanhou e que estava com ele dentro do círculo. Então ele lhe pediu (ou seja, o rei pediu ao velho homem ) para que os trovões cessassem. E cessaram.

[O rei demônio dá um livro ao Ancião][editar]

Então o rei o chamou e disse para o velho homem: "Por você ser um homem assim, eu te darei de presente um livro contendo todas as famílias de demônios pois existem peritos em nomes que sabem apenas o nome de uma família e mesmo dessa família eles não a conhecem completamente. Eu te darei um livro onde está escrito todas as famílias, pois perante o rei todos eles estão escritos e até mesmo os que nascem são escritos diante do rei". Então o rei enviou esse que estava com ele até o livro (ficou evidenciado que ele fizera muito bem em tê-lo deixado entrar com o outro, pois de outra forma à quem ele mandaria?). E ele então lhe trouxe o livro. E ele abriu o livro e ele viu escrito lá milhares de milhares e um número incomensurável de famílias deles. Então o rei falou para o velho homem que eles jamais iriam lesar alguém de toda a sua família. E ordenou trazer todos os retratos de toda a sua família. E mesmo quando nascer entre eles uma criança, que eles imediatamente trouxessem o seu retrato para que eles não lesassem ninguém da família do velho homem.

Depois disso quando chegou a hora do velho homem de ele sair do mundo, ele chamou seus filhos e lhes declarou a sua vontade e assim lhes disse: "Eu vos deixo esse livro. E vocês vêm que eu tenho o poder de utilizar o livro de uma forma santa. E mesmo assim eu nunca o utilizo pois tenho apenas fé em D'-s Abençoado Seja Ele. Vocês também não o utilizem. Mesmo que haja um entre vocês que saiba utilizá-lo de uma forma santa, mesmo assim não deverá utilizá-lo e apenas ter fé em D'-s Abençoado Seja Ele". Mais tarde o sábio faleceu. E o livro passou por herança e chegou até o seu neto. E ele tinha o poder de utilizá-lo de forma santificada. Porém ele tinha fé em D'-s Abençoado Seja Ele e ele não o utilizou. Assim como o velho homem ordenara.

E os falantes (ou seja esses que conversam) que existem entre os demônios, tentaram persuadir o neto do velho homem: "Por você ter filhas grandes e você não tem o suficiente para as sustentar e para casá-las, sendo assim utilize o livro". E ele não sabia que eles estavam tentando persuadí-lo e ele pensava que o seu coração o estava aconselhando. Então ele viajou até o seu avô, até o seu túmulo, e lhe perguntou: "Você deixou uma ordem que não utilizássemos o livro. Que tivéssemos apenas fé em D'-s Abençoado Seja Ele. E agora o meu coração me pede de utilizá-lo". E o seu avô lhe respondeu (que tinha falecido): "Apesar de você poder utilizá-lo de uma forma santa é melhor que você tenha fé em D'-s Abençoado Seja Ele e não o utilize e D'-s Abençoado Seja Ele te Ajudará". E ele assim o fez.

E veio o dia. E o rei do país, onde lá estava estabelecido o neto do velho homem, ficou doente. E ele se tratou com médicos eles não conseguiam lhe dar nenhuma cura devido ao grande calor que havia lá no país e que por causa disso nenhum remédio ajudava. Então o rei do país decretou que os judeus rezassem por ele. Então o nosso rei disse (ou seja, o rei dos demônios) que pelo fato de o neto ter o poder de utilizar o livro de forma santa mesmo assim não o utiliza, sendo assim nós devemos fazer algo em seu benefício. E então me ordenou que eu me transformasse em uma nuvem lá para que o rei (do país) pudesse obter una cura dos remédios que ele já tomara e dos remédios que ainda iria tomar. E o neto não sabia nada disso. E por isso eu virei uma nuvem aqui". (Isso tudo a nuvem contou para o enviado).

E esse que não tinha anteriormente nenhuma força nas pernas seguiu-os e escutou tudo isso. Então ele foi levado ao rei (ou seja, esse que virou uma nuvem foi levado ao rei). E o rei ordenou que lhe tirassem a força e a devolvessem ao rei (de quem lhe foi retirada a força por ter construído o seu palácio conforme mencionado). E então lhe devolveram a força e o filho dos demônios então retornou (cujo pai e a mãe choraram por ele, conforme mencionado). E ele veio muito exausto, sem força, pois lhe torturaram muito lá. E ele ficou muito irritado com o feiticeiro que tanto torturou lá. E ele disse à seus filhos e à sua família que eles ficassem sempre de olho no feiticeiro. E entre os demônios têm falantes (ou seja, os que contam) e eles foram e disseram para o feiticeiro que o estavam espreitando para que ele pudesse se proteger. Então o feiticeiro tomou providências e ele chamou outros feiticeiros que conheciam outras famílias para protegê-lo deles. E o filho e sua família se irritaram muito com os falantes por eles terem revelado segredo ao feiticeiro.

[Nada permanece dos demônios][editar]

Certa vez ocorreu que eles foram juntos fazer a guarnição do rei, os da família do filho e os da família dos falantes. E os da família do filho foram e formaram uma confusão em torno dos falantes e o rei então matou os falantes. Então os falantes que sobraram se irritaram. E eles foram e fizeram uma rebelião (ou seja, uma grande briga) entre todos os reis. E entre os demônios houve fome, doenças, devastações e pragas. E houve guerras entre todos os reis. E através disso houve tremores e toda a terra caiu e a árvore foi totalmente regada. E deles (ou seja, dos demônios) nada sobrou. E eles viraram nada. Amén.

[Notas Seguintes à Estória][editar]

"Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpio, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes o seu prazer está na Lei do Senhor, e na Sua Lei medita de dia e de noite. Ele é como uma árvore plantada junto à corrente de águas, que no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha e tudo quanto ele faz será bem sucedido" (Salmo, 1). Todo esse conto está insinuado nesse Salmo. Aquele que tem olhos vê e aquele que tem coração compreende o que ocorre nesse mundo.

[Palavras do rabino Nachman:] "'Ashrei ha'ish asher lo-halakh... lo-'amad, uvmoshav leitzim... vehayah ke'etz shathul 'al-palgei mayim'" - toda a história é aludida neste capítulo [Salmos 1]. Quem tem olhos, deixe-o ver, e quem tem um coração, deixá-lo entender, o que diabos está acontecendo.

[Rabino Nathan escreve:] O segredo desta história é aludido no Capítulo 1 nos Salmos:

{v. 1} "'Ashrei ha'ish asher lo-halakh'/ Fortunate é o homem que não andou ..." - o "caminho dos ímpios" e o "caminho do justo". Estes são o aspecto dos caminhos mencionados na história que têm a poeira que eles polvilham, etc.

{v. 3} "'Wehayah ke'etz shathul 'al-palgei mayim, asher piryo yiten be'ito we'alehu'/E ele será como uma árvore plantada por córregos de água, que dá seus frutos em sua temporada, e suas folhas...

... Wekhol-asher ya'aseh yatzliach'/ e tudo o que ele faz vai prosperar" - isso se refere à árvore na história, que todos os seus frutos e folhas, tudo na sua totalidade, são todos muito benéficos, como mencionado.

Examine e você encontrará mais alusões:

"Sorte é o homem que não andou" - pois, inicialmente, ele não podia andar. "'Lo-'amad'/ Não ficou" - pois, mais tarde, ele também não podia ficar de pé. "'Uvmoshav leitzim'/ E na companhia dos cantos" refere-se ao acordo dos escárnios que zombam, etc., como mencionado.

{v. 4} "...'Kamotz asher-tidfenu ruach'/Like chaff which the wind drives away" refere-se ao vento que leva a poeira.

E tudo isso é apenas algumas alusões superficiais que ele [rabino Nachman] iluminou nossos olhos com um pouco, a fim de compreender um pouco e compreender até que ponto essas coisas chegam. Mas as coisas ainda estão seladas em total ocultação, pois todas essas histórias que ele [rabino Nachman] contou são muito, muito acima da compreensão humana e escondidas do olho de todos os seres vivos, etc.